A eleição presidencial tem se caracterizado por um fato inusitado, a candidatura governista tem pautado sua estratégia focando no ataque ao governo anterior representado nestas eleições por seu principal adversário.
Considero importante relembrar o período na qual ambos os partidos ocuparam o governo para que assim possamos avaliar qual dos dois principais candidatos está mais apto a governar o Brasil nos próximos anos. Entretanto infelizmente o marketing oficial distorce realidades sobre o passado com finalidade eleitoreira ao mesmo tempo que que a atual oposição se perde em defender a sua herança.
O governo Fernando Henrique Cardoso por sua importância para a história recente do Brasil é ainda hoje – passados oito anos de seu término – o centro de debate político eleitoral brasileiro, gostando ou não dos oito anos de FHC, foi neste governo que se construiu a direção que o Brasil segue hoje e é muito difícil imajinar o sucesso do atual governo sem as reformas realizadas no governo anterior.
O plano Real, implantado ainda no ultimo ano do governo Itamar Franco e mantido até hoje, é fator condicionante para o aumento gradual no consumo que as famílias brasileiras vem sofrendo nos ultimos dezesseis anos, em outras palavras, a hiperinflação que corroía os ganhos da população mais pobre do Brasil, foi solapada pelo plano que permitiu que cerca de 15 milhões de brasileiros saíssem abandonassem a pobreza nos oito anos de governo tucano.
Além do fim da hiperinflação o governo FHC no Brasil foi o aquiteto do Proer e também do Proes – o Proer dos bancos públicos – cujo os fundamentos respeitados pelo atual governo foram importantes para a consolidação do sistema financeiro no Brasil e ajudaram a impedir que bancos brasileiros falissem durante a crise de 2009 que o atual governo considerou uma marolinha.
O tripé macro-econômico que fundamenta a economia brasileira formado por câmbio flexível, metas de inflação e metas de superávit primário também fazem parte da “herança maldita” que o partido dos trabalhadores receberam em 2003 e optaram pelo bom senso de não desconstrui-lo.
Por fim para terminar de mencionar as consecutivas reformas econômicas realizadas pelo governo anterior, podemos relembrar a célebre lei de responsabilidade fiscal, muito criticada na época e responsável pela organização das contas públicas de estados e municípios no Brasil que em grande parte comprometiam durante os anos noventa os resultados do setor público no Brasil.
Falados dos ganhos na área econômica do governo FHC, podemos perceber que este governo acumulou ganhos na área social no Brasil, na educação por exemplo, foi durante este governo que o país obteve a marca inédita de ter 97% das crianças de 7 a 14 na escola – sem discutir a qualidade desta, ou se em termos qualitativos ela tem melhorado no governo atual – é uma marca histórica para um país onde escola durante séculos era considerado privilégio de elite.
Pode-se considerar um ganho social os 5,5 milhões de pessoas que recebiam os auxílios do Bolsa Escola e do Bolsa Alimentação – hoje Bolsa Família – em 2002, ou mais os 40% de brasileiros que passaram a consumir remédios com a implantação dos genéricos durante este período.
Portanto, sem medo do passado, não há motivo para as lideranças tucanas fugirem deste debate, embora o atual governo indiscutivelmente tenha méritos, grande parte são resultados de políticas implantadas no governo anterior.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
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Do passado ao futuro em três meses
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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