A condição de bem estar vivida pela população brasileira nos últimos anos da a sensação de que o Brasil mergulhou em uma era de prosperidade da qual não há perspectiva de sair incentivando ao censo comum a pensar que chegamos ao fim da história.
Historicamente constatamos que outros períodos de bonança e bem estar social ocorreram no Brasil e conferiram aos governos altíssimos indicadores de aceitação popular, foi assim com Juscelino na construção de Brasília e até com o general Médici no auge do “milagre econômico” no Brasil.
Entretanto percebe-se que logo após estes rápidos períodos de prosperidade econômica e social no Brasil, sucessivas crises de origem internacional ou doméstica lançaram o Brasil em profundas recessões e enormes períodos hiperinflacionários, isto se dá principalmente por que governos aproveitam períodos de crescimento e bonança internacional para tentarem tirar o atraso de crescimento pífio de décadas perdidas.
Trazendo para os dias de hoje a experiência histórica notamos que o ciclo se repete e o atual governo se esbalda na prosperidade econômica gerada em primeiro lugar pela consolidação da China como potencial mercado consumidor de commodites – o que tem segurado o preço destes produtos em alta no mercado externo – e em segundo lugar pela expansão do gasto publico e do crédito no Brasil que são os grandes responsáveis pela aparente consolidação do mercado consumidor brasileiro.
Entretanto não creio que estejamos vivendo o fim da história, mais ainda, a economia brasileira tem problemas estruturais que nos permite avistar problemas em médio prazo caso providencias não sejam tomadas.
Em primeiro lugar, mesmo com as commodites valendo praticamente o dobro do preço ao longo do governo Lula, o Brasil este ano deve acumular um déficit em transações correntes de 50 bilhões de dólares, o maior desde 1947 quando este indicador começou a ser medido.
Além disso, temos no Brasil uma das menores taxas de poupança doméstica e consequentemente de investimento no mundo emergente, cerca de 14% e 18% respectivamente, o que nos avaliza a dizer que o crescimento a ritmo asiático que o Brasil vai apresentar este ano não deve se sustentar caso estes dois indicadores sejam mantidos neste patamar.
Não obstante percebemos que o Brasil passa por um perverso processo de desindustrialização, onde a industria nacional tem se tornado mera montadora de produtos, varias empresas tem dificuldade de competir no mercado externo devido a valorização artificial do câmbio e uma série de reformas microeconômicas – trabalhista e tributária por exemplo – que devem ser prioridade do próximo governo para atender as demandas do setor produtivo brasileiro.
Muitos problemas podemos identificar na economia brasileira, entretanto podemos trabalhar para que eles não se agravem no médio prazo, talvez uma política fiscal mais austera por parte do governo federal permitisse ao próximo presidente reduzir a taxa básica de juros, o que por um lado tenderia a desvalorizar o Real favorecendo os exportadores e de tabela normalizar a situação da balança de pagamentos no Brasil, o câmbio desvalorizado também permite que nossa indústria tenha condições mais justas de competir no mercado externo e interno com as empresas estrangeiras e por fim, o juro mais baixo devolveria ao brasileiro a capacidade de poupar e investir para que o crescimento brasileiro, alem de pujante seja sustentado.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
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Será o fim da história?
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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