Por todo o mundo os países tem se confrontado com o problema do câmbio sobrevalorizado, ou seja, a cotação da moeda nacional em relação a moeda extrangeira, por todos os países o dólar tem caído de preço causando distorções nas relações econômicas pelo mundo e no Brasil não é diferente.
É consenço entre os economistas que o câmbio brasileiro está desfavorecendo o setor exportador brasileiro e que o atual valor do dólar – na casa de R$1,69 – no Brasil precisa ser repensado, isto por que o Real exessivamente valorizado inibe as exportações do país por um lado e por outro estimula a entrada de importados.
No caso das exportações brasileiras devido a suas particularidades e sendo o Brasil um país predominantemente exportador de commodities, um fenomeno mundial e que já perdura por uma década chamado “efeito China” – que por ter internamente uma alta demanda por produtos primários – tem mantido em alta o valor dos produtos de exportação brasileira durante todos estes anos, tem amortecido o impacto negativo do câmbio nas exportações do país.
Já no caso das importações o efeito é mais sério, a indústria nacional tem se especializado na montagem dos produtos, sai mais barato importar peças para montagem do que fabricar peças dentro do país, em outras palavras, devido a condições extremamente desfavoráveis que somam câmbio sobrevalorizado, alta incidência de impostos sobre produção e condições lojisticas precárias a indústria brasileira perde competitividade frente a extrangeira e tem gradativamente se transformado em mera montadora de produtos.
O problema comercial por sua vez leva a um impacto no saldo em transações correntes com o resto do mundo, este ano o Brasil deve apresentar um déficit de cerca de R$50 bilhões, o maior já registrado e ainda não se sabe a origem do financiamento para este rombo, se por Investimento direto ou por outra natureza de financiamento.
Como podemos notar a questão cambial está intimamente relacionada com as relações do país com o restante do mundo e no Brasil por muito tempo a equipe econômica se relutava em assumir que a cotação cambial somada com a política fiscal e a taxa de juros poderia sim formular uma combinação mais eficiente para a economia brasileira, isso significaria uma cotação de juros domésticos reais mais baratos do que temos apresentado nos ultimos anos, somados com uma relação Real/Dólar um pouco mais desvalorizada em termos da nossa moeda e tudo isto em consonância com uma política fiscal que privilegiasse além da austeridade, uma melhor qualidade do gasto publico, ou seja, uma política que priorizasse investimentos em detrimento de gastos correntes e que cortasse desperdícios.
O fato é que finalmente as nossas autoridades econômicas estão se voltando para a questão do câmbio, recentemente o ministro Mantega aumentou a alíquota de IOF de 2% para 4% para o entrada de capitais estrangeiros no país na tentativa de inibir a entrada de dólares no país derrubando ainda mais o preço da moeda americana, a política no entanto não mostrou eficiência e o Real continuou se desvalorizando.
Creio que está na hora de o Banco Central começar a pensar em baixar a taxa de juros para que ai sim os dólares deixem de de migrar para o Brasil e a situação do câmbio se normalize, se com a queda nos juros acontecer da inflação acelerar, creio que esteja na hora da política fiscal atuar no combate via ministério fazenda.
sábado, 9 de outubro de 2010
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O problema do câmbio
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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