O bom momento que vive a economia brasileira no curto prazo nos coloca diante de um dilema interessante, no Brasil fora divulgada recentemente pelo IBGE que no terceiro trimestre deste ano 20% do consumo das nossas famílias correspondeu a produtos comprados do exterior.
Por um lado o bom desempenho exercido pela nossa economia atrai importações do mundo desenvolvido que apostam nas exportações para abandonarem a recessão, por outro lado países emergentes como a China com a recessão nos países desenvolvidos tendem a exportar mais a países como o Brasil que estão com as taxas de consumo internas elevadas.
Entretanto será este o melhor caminho? Se observarmos do prisma dos consumidores, a curto prazo este pode ser considerado o melhor caminho, entretanto se mudarmos o enfoque da análise para o lado das empresas, veremos que as indústrias nacionais estão em dificuldades de competir com o setor extrangeiro, perdendo uma fatia do mercado nacional sem que haja compensação nas exportações de manufaturas.
A princípio uma série de fatores contribuem para que a nossa indústria esteja passando por apuros mediante a concorrência externa, a perversa soma de carga tributária imprópria, com uma logística precária, leis trabalhistas impróprias, baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento e câmbio sobrevalorizado, colocam o empresariado brasileiro em situação delicada principalmente agora quando os países desenvolvidos tem no Brasil um porto seguro para escoar sua produção.
Entretanto creio que chegou a hora de o nosso governo começar a atentar para os fatores que listei a cima antes que tenhamos dificuldades no futuro, em outras palavras, é chegada a hora do setor publico no Brasil ter uma visão estratégica de futuro, ou seja, antecipar os acontecimentos que podem vir a nos causar problemas.
Esta nefasta soma mencionada se reverte em custos adicionais para o setor produtivo nacional, a carga tributária por exemplo torna necessário se pensar em um modelo que não penalize o consumo de produtos aqui produzidos, este é um dos motivos pela falta de competitividade da nossa indústria, muitas vezes o produto nacional pode receber incidência maior de impostos do que os produtos importados.
Custos adicionais como impostos, encargos trabalhistas e transporte devido a falta de logística, reduzem a margem das empresas que perdem capacidade de investir em pesquisa e com isso não conseguem aumentar sua produtividade.
O avanço dos produtos importados sobre a fatia de mercado das empresas nacionais obriga que estas empresas aproveitem o câmbio desvalorizado e passem a importar seus insumos tornando mesmo a produção nacional dependente da produtividade externa, ou seja, isto se reverte em um ciclo vicioso onde além do produto final, a produção intermediária passa a ser internacionalizada também, fazendo de nossa indústria, um segmento exclusivamente de montagem da produção, o que não interessa ao Brasil sobre o ponto de vista da produtividade e sobre o ponto de vista do emprego
A entrada em massa de produtos importados no Brasil significa que o conjunto industrial brasileiro está exportando empregos, que não conseguem se inserir no desafio do mundo, de gerar valor e complexidade dentro do país, independente do destino da produção, seja mercado interno ou exportações a indústria nacional tem de estar em pé de igualdade com a concorrência extrangeira.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
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Será o melhor caminho?
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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