O governo brasileiro e principalmente as autoridades econômicas esbravejam a decisão do Fed de despejar até junho próximo cerca de 600 bilhões de dólares, segundo o ministro da fazenda Guido Mantega a iniciativa norte americana é prejudicial para as economias como um todo, mas principalmente as economias emergentes.
É com os olhos voltados para os problemas alheios, que os nossos próprios problemas se acentuam e mascarados por uma situação confortável no curto prazo não se manifestam sobre as vestes de problemas.
O Brasil este ano acumula um déficit que deve superar os 50 bilhões de dólares nas transações com o resto do mundo, a questão cambial aparece como preocupação agora, mas não é de hoje que o câmbio vem prejudicando nossa produtividade e as autoridades econômicas do Brasil reclamam de medidas adotadas por países que querem superar seus próprios problemas, mas nada fazem para resolver os problemas internos, em outras palavras, estamos fora do foco que nos interessa.
A indústria, da sinais claros de problemas em vários setores, a perda de rítimo da atividade indústrial principalmente nas áreas de bens de capitais e bens para consumo intermediário, são amostras que o setor está perdendo a aptidão por investir e quando o faz, importa os insumos do exterior devido a cotação cambial, privilegiando a geração de empregos em outros países.
A muito tempo o país tem reforçado sua vocação em exportar matérias primas, ou produtos semi elaborados, como aço, soja, café, carne, açucar, petróleo bruto, pasta de celulose e suco de laranja, cada vez mais exportamos produtos semi elaborados, ou primários, a indústria por sua vez não consegue competir no mercado externo com os países exportadores de manufaturas, ou seja, nosso conjunto indústrial não está encontrando canal, nem possibilidades de enfrentar o desafio do mundo, de gerar complexidade, valor adicionado dentro do país.
E nossas autoridades econômicas ao invés de se preocuparem com nossa situação econômica no médio e no longo prazo, resmungam quando outros países lançam planos e iniciativas para resolverem seus problemas de curto prazo.
Trata-se de uma armadilha, a situação confortável que o país está atravessando no curto prazo sem geração de poupança doméstica, com altas taxas de juros e baixos níveis de investimentos, carga tributária e custo do trabalho que não contribuem para o desenvolvimento de um modelo econômico que privilegie a formação de complexidade nas etapas produtivas de nosso conjunto industrial.
sábado, 6 de novembro de 2010
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Fora do foco
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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