domingo, 7 de novembro de 2010

Melhora no foco

Paralelamente a perda de fôlego do setor industrial brasileiro que teve seu crescimento de produção reduzido de 18,2% no primeiro trimestre deste ano, para 7,9% no terceiro trimestre, temos um setor primário incentivado pela alta dos preços nas commodities no mercado mundial devido ao efeito China além das distorções cambiais recentes, em plena expansão, o que nos da uma certa tranquilidade em termos de balança comercial, pois os ganhos de um setor ( neste caso o primário) acaba compensando as perdas na capacidade de competição do outro (o setor indústrial).
Entretanto sabe-se que o fator condicionante para o crescimento indústrial brasileiro nos ultimos anos não tem sido o mercado externo, mas sim o mercado interno que estimulado pela crescente expansão das despesas públicas e do crédito tem sustentado em patamares elevados o consumo pessoal no Brasil e portanto dando sustança ao crescimento industrial.
No entanto a perversa operação que soma câmbio exessivamente valorizado e portanto abrindo a concorrência para produtos importados, mais a política dos altos juros que inibem a contração de crédito por parte das empresas para realizarem seus investimentos, somados ainda com os altos custos de mão de obra e tributos e agora com a disparada no preço das commodities das matérias primas, tem contribuido para a perda ainda mais acentuada da competitividade da nossa indústria.
Prova disto está no fato de a participação de produtos importados no consumo das familias brasileiras estarem em plena expansão e consequentemente tomando o espaço da indústria nacional também dentro deste nicho de consumidores, no início de 2009 com a crise financeira ainda respingando incertezas no mercado internacional a participação dos produtos importados no consumo dos brasileiros era de 15,7%, número bastante inferior do que os 20% assinalados no terceiro trimestre deste ano, ou seja, de lá para cá, a concorrência internacional tem avançado rapidamente sobre o mercado brasileiros e se já era um problema para o Brasil elevar a competitividade para competir no mercado externo, agora o problema é ainda maior, pois temos que criar mecanismos de defesa para protejer nossa indústria dentro do nosso próprio território.
Não quero desdenhar da participação de produtos primários como importante fonte de geração de divisas para o Brasil, pelo contrário, se temos esta vocação econômica natural devemos incentivar a produção de matérias primas como soja, café, algodão, suco de laranja, pasta de celulose, carne, minério de ferro e petróleo bruto para incrementar nossa produtividade e consequentemente nossas exportações, entretano será viável econômicamente o foco praticamente exclusivo na produção destes bens que tem sustentado nosso comercio exterior nos ultimos anos? Ou será que vale a pena pensarmos em um modelo ambicioso que proteja e capacite nosso setor privado em avançar em áreas que agreguem valor as etapas de produção e gere complexidade dentro do país? Como será que nossos principais parceiros comerciais e também concorrentes estão se comportando a este respeito? E mais, como eles recebem o fato de o Brasil estar se expecializando exclusivamente na produção de matérias primas para exportar?
É evidente que um sistema industrial complexo e competitivo nos interessa mesmo que mantenhamos nossa vocação natural de exportar matérias primas, o Brasil só tem a ganhar.
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