segunda-feira, 18 de abril de 2011

O texto que deve ser lido

Muito se ouviu falar nos últimos dias a respeito do artigo escrito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que foi publicado em uma revista, embora com uma exagerada dose de misticismo as críticas feitas ao texto são normalmente proferidas por pessoas que não o leram, ou se leram usam de má fé para insinuar inverdades e espalhar boatos. Rotular um texto dotado de elevado grau de complexidade, imensa riqueza de conteúdo e grande profundidade analítica me parece tática utilizada pela velha esquerda golpista que passara oito anos pedindo impeachmant durante o governo tucano.
FHC começa o texto fazendo paralelo a um outro artigo que escreveu na década de 70 com o mesmo título “O papel da oposição” onde ele compara o dever de duas oposições que mesmo separadas por 40 anos possuem semelhanças como o alto índice de aprovação popular que estas oposições tinham de enfrentar, somada a presença de mecanismos de massacre da opinião pública em favor do próprio governo, falta de apreço as regras da democracia, presença de uma retórica ufanista e nacionalista que despertava orgulho na população e um bom momento econômico que foi característica do governo Lula e do governo Médici.
Mas FHC foi lúcido ao escrever seu artigo, disse que mesmo o regime autoritário caiu na descrença da opinião pública conforme foram caindo as mascaras da tortura, da inflação, das desigualdades sociais, das condições precárias do serviço público, da corrupção que culminaram com o movimento das diretas já e a redemocratização do Brasil.
Pode-se notar que durante todo o texto não foi falado a respeito de governo, dos verdadeiros problemas que precisam ser resolvidos no Brasil, FHC se preocupou com cada detalhe da confecção daquele artigo, restringiu-se a falar sobre caminhos que poderiam levar a oposição de hoje a ser bem sucedida como fora aquela oposição ao governo militar que também como a de hoje sofre dificuldades.
Os jornais deram ênfase a uma frase de poucas palavras onde FHC supostamente aconselharia a oposição a abandonar o “povão”, municiando adversários a fazer juízo de valor, descontextualizar e despolitizar a questão. O que o ex-presidente realmente disse, e quem leu o texto com um mínimo de cuidado percebeu foi que existe uma gama de novos setores sociais que não vivem do clientelismo do governo e que por isso não se sentem representados pelo governo que aí está, dentre estes novos setores existem os jovens, os religiosos, profissionais de várias as áreas, pequenos produtores rurais, empresários etc..., e ele tem razão, FHC está enxergando com profundeza, está vendo crescer um novo Brasil que começou no seu governo e está se tornando adolescente, um Brasil que não vive e nem concorda com a burocracia de um estado corrupto, incompetente e ineficaz. A estes setores FHC da o nome de nova classe média e que pouco tem a ver exclusivamente com o nível de renda dos que a compõe.
Este artigo foi muito criticado, infelizmente nem todos que o criticaram leram, o PT aproveita para fazer o que faz de melhor, despolitizar o político do texto através de rotulações tolas e bravatas, entretanto isto não mais me constrange, em alguns anos que acompanho política não tenho visto outra postura por parte de Lula e seu bando que só fazem simplificar raciocínios, já FHC viu mais profundo e se os partidos de oposição assimilarem o recado em 2014 teremos um tucano no governo.
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