Primeiro na Tunísia, depois no Egito, seguindo pela Líbia onde recentemente o Regime de Muamar Gadaffi foi derrubado e agora as manifestações por liberdade denominadas primavera árabe ganha contornos mais robustos na Síria governada pelo ditador Bachar Assad.
O que chama a atenção é até que ponto as reivindicações são por liberdade e democracia e não simplesmente um golpe para que teocratas fundamentalistas islâmicos invertam de lugar nas estruturas de poder do Orient Médio.
Pelo que parece, as revoluções que tem ocorrido nos países árabes tem uma roupagem libertária, ou seja, a democracia está presente no discurso, mas na prática a repressão ás minorias e a violação dos direitos humanos continuarão prevalecendo.
Historicamente revoluções ocorrem dotadas de sentimentos democráticos nas palavras entretanto são seguidas de ditaduras tão perversas quanto os regimes que as originaram, exemplo clássico é a União Soviética, mais perversa e sanguinária do que o mais assassino dos Czares Russos.
Temo que nos países árabes o mesmo ocorra, com o destrono das famílias reais nos países árabes, os regimes que emergem com o apoio de Israel, Estados Unidos, França entre outros, tendem a se tornarem mais próximos do regime Iraniano do que das democracias ocidentais.
Erros parecidos ocorreram no passado quando os norte-americanos na guerra Irã e Iraque fortaleceram Saddan Hussein e décadas mais tarde com o pretexto da democracia o derrubou em uma guerra sem sentido e sem motivos.
E agora o que temos observado? As grandes democracias ocidentais sustentam os movimentos rebeldes nestes países e quando os regimes autoritários caem as populações destes países ficam a mercê de sua própria sorte, em condição miserável onde a fome, a doença, o desemprego, a violência continuam assombrando os povos “livres”.
Não quero aqui me posicionar contrariamente ás aspirações libertárias dos povos árabes, pelo contrário, se a democracia é boa no Brasil, tem que ser boa para estes países também, entretanto, uma revolução tem que ser levada a sério, Na Rússia os bolcheviques aboliram o regime Czarista, e implantaram um regime centenas de vezes mais sanguinário, cruel e autoritário, trocar um tirano por outro não é fazer revolução independentemente da razão da revolução.
Do lado dos países desenvolvidos que mesmo em meio a crise financeira na qual estão submersos e ainda assim insistem em interferir nas questões relativas de cada país, gostaria de propor um algo a mais, já que estes países em nome da liberdade, dão suporte aos grupos oposicionistas revolucionários, por que não garantir o processo de desenvolvimento nestes países de maneira séria, através do financiamento da educação e da pesquisa no lugar de simplesmente exaurir as riquezas naturais – no caso árabe o petróleo – e deixar estes povos “agora livres” convivendo na precariedade.
Não podemos confundir direito de votar com democracia, o conceito de democracia vai além do direito de escolher os representantes, isto é pobre, pois muitas vezes teoricamente temos o direito de votar, mas nossas escolhas são manipuladas por quem exerce o poder ou que tem ligação direta com o mesmo.
Democracia compreende sim o direito ao voto, mas compreende também o direito á informação, educação, habitação, alimentação e saúde dignas, se isto for dado nos países árabes aí sim a revolução estará completa.
domingo, 9 de outubro de 2011
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Democracia verdadeira
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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