sábado, 26 de novembro de 2011

O emprego no Brasil

Embora o marketing oficial e a televisão retratem um cenário onde o desemprego no Brasil seja o menor desde muitos anos, se observarmos alguns dados interessantes veremos que a situação não é tão boa quanto se imagina.
Entre os mais jovens até 17 anos temos uma taxa de desocupação de 22,9%, níveis espanhóis de desemprego entre os ingressantes no mercado de trabalho em um país em plena expansão econômica.
Outro dado preocupante da situação trabalhista brasileira diz respeito á questão da rotatividade, 41% dos nossos trabalhadores trocam de emprego em menos de um ano e quando analisamos categorias de remuneração inferiores a dois salários mínimos a rotatividade sobe para 50%.
Mas o que realmente preocupa é que o aumento das contratações se concentra exclusivamente em categorias onde a remuneração paga pelas empresas é inferior a dois salários, sendo que para categorias que ultrapassam este teto o volume de demissões superam desde 2003 o volume de contratações. Com exceção do ano de 2004 onde a categoria de 2 a 3 salários mínimos obteve um saldo positivo de 90.938 contratações, todos os outros anos e todas as outras faixas salariais apresentaram saldos negativos.
Estes dados comprovam a tese de que os empregos gerados no Brasil, embora abranjam uma grande massa de trabalhadores, em geral não são de boa qualidade, ou de elevado nível de qualificação que demanda salários maiores.
A desaceleração nas contratações é generalizada, mas o setor que mais sente é a indústria que segundo o IBGE fechou 23 mil vagas no mês de outubro. Com uma previsão no início do ano de gerar 3 milhões de novos empregos em 2011, o governo brasileiro já se contenta se o saldo se manter em volta dos atuais 2,4 milhões gerados até outubro.
O processo amplo de formalização do trabalho brasileiro durante o governo Lula precisa agora ser aprimorado, incentivos como o micro-empreendedor individual, e o simples nacional deram muito certo no sentido de formalizar empresas de “fundo de quintal” e com isto seus trabalhadores. Entretanto o acúmulo de demissões em faixa de renda mais altas estão intimamente relacionadas com o processo de desindustrialização brasileira.
Na prática, funciona como se estivéssemos exportando os empregos de boa qualidade para países agressivos em sua política industrial como Cingapura, Coréia, Japão, China entre outros. Com a transformação de nosso parque industrial em mero montador de peças importadas destes países, temos condenado nossos trabalhadores ao emprego mal remunerado. Um exemplo disto é a própria Embraer que em 2002 produzia aviões com 60% de conteúdo nacional e hoje nove anos depois produz com menos de 30%.
Tudo isto num cenário onde a inflação em bens de primeira necessidade como alimentos, transportes e aluguéis tem encarecido a cesta de consumo dos trabalhadores brasileiros, isto implica em um impacto na renda média do trabalhador que segundo o IBGE cresceu em setembro ultimo 0,01% em relação ao mesmo mês de 2010.
Segundo o professor de economia da USP José Pastore o custo de um trabalhador para a empresa representa 102% de seu salário criando uma aberração onde o trabalhador, ao mesmo tempo que ganha pouco, custa caro para quem emprega.
Talvez seja chegada a hora de se pensar uma reforma trabalhista, que dificilmente acredito que ocorra nos três anos que restam ao PT, pela sua repulsa ao ônus político que as reformas causam.
←  Anterior Proxima  → Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário