sábado, 10 de dezembro de 2011

Um aumento inoportuno

Como cidadão de Uberlândia não poderia furtar-me de comentar um fato muito relevante que aconteceu em Uberlândia ligado diretamente á nossa classe política e ao poder legislativo.
Trata-se do aumento, ou reajuste, ou fixação de salários para a próxima legislatura, não importa, o leitor tem liberdade para denominar como quiser a catástrofe aprovada pelos nossos legisladores em próprio benefício, me refiro ao aumento de 54% dos salários de nossos vereadores que não pode ser tratado como um assunto banal.
Ao aprovarem um aumento escandaloso nos próprios salários, nossos vereadores deram ás costas para a opinião pública, não se importaram com a má impressão que esta atitude causaria na sociedade, foram imensamente irresponsáveis do ponto de vista da gestão do dinheiro público justamente num momento em que o número de representantes no legislativo uberlandense aumentou. e tudo isto em uma hora que não poderia ser considerada pior.
Estamos vivendo a nível nacional uma grave crise de credibilidade da instituição parlamentar e que reflete nos níveis estaduais e municipais, o poder legislativo já de muito sofre com um excesso de descrédito que não ocorre na mesma intensidade com os poderes executivos e judiciários nos três níveis federativos.
Diante de um quadro destes, a postura lógica que se espera de um homem público, principalmente do legislador que é o mais afetado pela falta de prestígio social do poder ao qual representa. É tentar moralizar os costumes políticos e não traçar o caminho oposto e zombar da opinião pública como estão fazendo.
Gostaria de suscitar uma pergunta aos nossos vereadores em particular aos que votaram favoráveis ao aumento. Será que vossas excelências ao agirem desta maneira representaram aqueles nos quais dedicaram o voto aos senhores?
O exemplo de Brasília já é péssimo, o poder executivo submeteu o legislativo á sua vontade, isto não pode ser considerado normal, por que o que diferencia regimes democráticos de autocracias é justamente a presença de um legislativo forte, autônomo, capaz de responder por si e conseqüentemente a sociedade no qual representam.
Agora quando um poder perde apoio popular por se degladiar com a opinião pública é natural que sua importância diante dos demais poderes seja dizimada. O que está havendo no Brasil é uma superposição de um poder ao outro, reversível? Talvez, vai depender muito da vontade daqueles que compõem o poder submetido, se continuarem a tratar a atividade política como balcão de negócios dificilmente este quadro triste da divisão de poderes brasileira será alterado.
É hora de se pensar com responsabilidade, com visão estratégica, olhar para o longo prazo e agir com coerência. Jogar simplesmente a responsabilidade na legislatura vindoura é demagogia, pois nós sabemos que grande parte da casa tenderá a ser reeleita e gozará do aumento dado agora no futuro, por isso me mantenho contra o fato e o argumento.
Não quero aqui implicar com os nossos vereadores, muitos deles são meus amigos, mas eu seria irresponsável, ou talvez cúmplice desta atuação infeliz da nossa câmara municipal, se eu omitisse meu posicionamento político contrário, repito, uma coisa é amizade pessoal e laços de cordialidade que tenho com todos os membros do legislativo municipal, outra muito diferente é posicionamento político e aqui me quero me opor de maneira veemente ao aumento de salário por eles aprovado.
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