quinta-feira, 19 de julho de 2012
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A farsa CPMI
Já pudemos perceber que a CPI do cachoeira estabelecida no congresso é uma grande fraude, seu objetivo não é investigar nem tão pouco estabelecer laços do contraventor Carlos Augusto Ramos (Carlinhos Cachoeira) com o governo.
Num primeiro momento a CPI até cumpriu este objetivo, mas bastou pouco tempo e ela caiu naquilo que se esperava, a sua utilização como vingança a antigos inimigos do palácio do Planalto.
Sem entrar no mérito da justiça da questão, ela já foi bem sucedida em sua primeira fase. O Senador Demóstenes Torres, ferrenho oposicionista do governo foi cassado.
Agora a bola da vez é o governador tucano Marconi Perillo, que está sob investigação, desafeto pessoal do presidente Lula, por tê-lo avisado sobre o mensalão pouco antes do escândalo estourar em 2005, agora governador está sofrendo consecutivas ondas de ataques por parte de vários setores ligados ao governo.
A grande questão não é a investigação dos oposicionistas que se forem verdadeiramente inocentes serão os primeiros a quererem ser investigados como fez o governador Perillo ao protocolar um pedido de investigação de si próprio.
O que desmoraliza a atuação da CPMI é a blindagem dos governistas, por que ao menos no que se acompanha pela imprensa, não vemos a mesma postura de parlamentares governistas atuantes na comissão a respeito do governador Agnelo Queiroz do PT-DF e Sergio Cabral Filho do PMDB-RJ e muito menos vemos uma iniciativa verdadeira no sentido de apurar a ligação do empreiteira Delta com o PAC, o que atingiria diretamente a presidente Dilma Rousseff.
Esta CPI cheira como parte de um plano muito mais extenso do que meramente denúncias e comprovações de corrupção com este ou aquele político, isto nos faz supor uma tentativa de massacrar a oposição no Brasil que já vem desde as eleições em 2010 quando diversos oposicionistas do presidente Lula caíram depois de intensivas campanhas de desmoralização de adversários tradicionais como os senadores Tasso Jereissati, Arthur Virgilio, Mão Santa, Heráclito Fortes, Marco Maciel entre outros muitos que perderam sua cadeira no senado depois de uma campanha odiosa do PT naquela eleição.
De todos os principais adversários do presidente a nível da ultima legislatura do congresso, restaram Marconi Perillo e Demóstenes Torres que já foi cassado, o governador está capengando, seus demais adversários foram praticamente todos derrotados em 2010, e agora o PT concentra toda sua artilharia para derrotar José Serra em São Paulo este ano, e Geraldo Alckmin do governo em 2014.
Ao ligarmos todos estes fatos percebemos que coincidência ou não, há um enorme esforço para se destruir a oposição no Brasil, o compromisso da CPMI se fosse com a ética, trataria com isonomia os governadores de GO Marconi Perillo, DF Agnelo Queiroz e RJ Sergio Cabral Filho, não no sentido de tentar incriminar, mas no sentido de esclarecer a sociedade da verdade dos fatos.
Ao não agir desta forma, a percepção que temos é que o governo se vale da ampla maioria que possui para fazer da CPMI instrumento de vingança e de dizimar a oposição no Brasil, falta republicanismo ao partido que exerce hoje o poder no Brasil, personalizado na sua principal figura, dissemina o ódio e o revanchismo contra aqueles que não lhe são inimigos, mas sim adversários que são fundamentais para qualquer democracia.
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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