quarta-feira, 22 de agosto de 2012
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O marketismo politico
O horário eleitoral gratuito na televisão marca uma nova e decisiva fase na corrida pelas prefeituras em todo o país, e em Uberlândia não será diferente, me atento a um fenômeno que inundou as campanhas eleitorais e vem ganhando importância a cada ano.
O precioso tempo de televisão, pode tomar até 2/3 do total de recursos de uma campanha majoritária e vale tudo, até alianças espúrias do tipo Lula + Maluf como foi costurada em São Paulo para alavancar a candidatura de um candidato débil.
Entretanto desde que teve seu valor superestimado nas eleições os programas eleitorais na TV criaram um fenômeno no mínimo inusitado, para não falar prejudicial á democracia brasileira. Me refiro ao que chamo de marketismo político, entenda por este fenômeno a capacidade de o marqueteiro aparecer mais nas eleições do que o próprio candidato.
Historicamente, podemos detectar este fenômeno na eleição presidencial de 2010, quando Lula em nome de vencer as eleições se travestiu de Lulinha paz e amor e abandonou tudo o que sempre propôs para subir ao poder. Desde então vale tudo para se vencer as eleições, o líder deixa de liderar para dizer o que a população, nem sempre provida de todas – e das melhores informações quer ouvir. Com nostalgia, recordo dos grandes homens públicos brasileiros cada dia mais escassos como Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso, Leonel Brizola e tantos outros que convenciam as massas, e não jogavam para a galera.
Hoje este fenômeno nacional se faz presente em todas as campanhas de relevância no país, para presidente, governos, capitais e cidades onde há segundo turno, o que é preocupante pois os marqueteiros tem compromisso em ganhar eleições, mas não tem o compromisso em governar bem uma cidade, o que compromete a capacidade de os eleitos efetivarem reformas e políticas de longo prazo na gestão da máquina pública. Afinal 8 anos depois, o que mais fez o Lulinha paz e amor?
Aqui em Uberlândia não devemos cometer o mesmo equívoco, vencer em eleições é uma finalidade pobre, servir ao povo com convicções baliza a trajetória de todo grande homem público, boa propaganda, qualquer candidato desde que tenha recursos consegue ter, bons projetos e boas soluções, somente aqueles que ficam para a história e que mudam o curso das tendências tão perigosas no mundo atual.
Aqui em Uberlândia vejo uma campanha que caminha pelo lado da tolice, por diversas vezes vi ambos os candidatos disputando para saber quem é mais importante no desenvolvimento local, se o governo Federal ou Estadual, estão analisando o crescimento de Uberlândia pela ótica dos investimentos que ambos os entes federados realizam aqui, sem se lembrar que muito mais Estado e União aqui arrecadam em relação ao que investem, na verdade Uberlândia sustenta o desenvolvimento de regiões mais pobres do estado e do país e não o contrário.
Acredito que Uberlândia tem algumas demandas, embora tenha melhorado muito no governo Odelmo, a relação entre entes federativos é institucional, independente do prefeito ela não vai se alterar, uma campanha a prefeito tem que tratar daquilo que importa, meio ambiente, transporte, cultura, saúde, educação, emprego, segurança, habitação, qualidade de vida, é isto que queremos ver sendo discutido, não uma antecipação da disputa de 2014 como me parece estar acontecendo aqui, já que tudo indica um embate Dilma x Aécio daqui dois anos.
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




Fiz uma postagem no meu blog já há algum tempo falando sobre o que eu acho de propaganda política, e acho que continuo concordando com o que escrevi a uns 2 anos atrás: a propaganda teoricamente não deveria ser necessária, pois os homens políticos deveriam ser reconhecidos por suas trajetórias, ações realizadas, dentre outros fatores, e não deveriam usar de recursos invasivos para "convencer" eleitores.
ResponderExcluirNo entanto essa é, infelizmente, a regra, e aí eu sou obrigado a dizer que não é um instrumento usado especificamente por um político ou outro. É usual, é praticamente um hábito institucionalizado. Logo não acho que seja o caso de dar nome aos bois (e por isso discordo de se realizar uma crítica ao Lula, pq ele não é o único a fazer isso).
Wagner concordo quando dizemos que é uma prática generalizada, mas este protagonismo do marketing eleitoral foi inaugurado por Lula quando teve sua personalidade transformada em 2002 com finalidade de ganhar a eleição, depois disso concordo se transformou em uma regra generalizada, mas os líderes deram seu lugar na eleição aos marketeiros e publicitários que não tem compromisso com a administração publica.
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