quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O cansaço do processo político

É nítido o processo de desinteresse pelo qual setores sociais inteiros se deixam levar em se tratando de eleições, não deveria ser assim, já que o direito de votar foi uma conquista que custou a luta de toda uma geração.

No entanto, principalmente setores mais progressistas da intelectualidade como jovens, acadêmicos, pensadores e formadores de opinião, parecem estar rendidos ou inertes ao processo político e eleitoral pelo qual passa o Brasil. Nem eleições, nem as grandes discuções de temas que são importantes para o desenvolvimento do país como código florestal, reformas estruturais, política externa e economia são alvo do interesse popular, parecem ser debates distantes da população que simplesmente não se interessa.

O que propusemos em discutir neste espaço é este fenômeno sociológico do afastamento popular das decisões discutindo suas causas e possíveis soluções.

Talvez esta omissão seja fruto de um excesso de conservadorismo por parte da classe política em geral, no fundo a impressão popular é que de 2 em 2 anos os partidos se reúnem para se preparar para as eleições, o que de fato acontece na prática, não há discusão programática, não há aproximação com o eleitor no período de entre safra (ou entre eleições), não há vocação para democracia interna, consultas populares, prévias e principalmente espaço para que novos quadros possam emergir.

Em outras palavras, mantido este cenário preocupante, o desinteresse não só continuará como também se acentuará no Brasil, ou seja, mantidas estas estruturas conservadoras, elitistas, personalistas e este caciquismo dos partidos, haverá no Brasil uma falência generalizada destes partidos políticos.

O resultado desta apatia popular ao processo político é a alienação, a permanência dos mesmos, a manutenção da estrutura, a ausência de reformas, o conformismo, a ausência de campanhas eleitorais propositivas e sim cinematográficas.

Enfim, o sistema político está falido, há, além disto, um nítido processo de desidratação das lideranças a nível nacional e regional, quem é a grande liderança no Brasil depois de Lula? Nossa presidente – com todos os méritos de seu governo – é uma burocrata de Brasília que foi imposta por vontade do padrinho. Quem é a liderança contemporânea capaz de unir o Brasil em torno de uma causa que realmente traga de volta a população para o processo como fizeram Tancredo nas diretas e FHC no Plano Real?

Ou os políticos voltam a agir com racionalidade, sem parecerem vampiros sedentos pelo poder trocando trajetórias inteiras por um projeto passageiro de 4 ou 8 anos através de alianças espúrias, de afagos a velhos desafetos, de bandeiras irrelevantes, de aproximação excessiva com setores pouco republicanos e com o poder econômico nas eleições. Tudo isto será que vale o poder?

O papel da liderança não é o de fazer um teatro falando o que a população quer ouvir numa eleição, é sim o papel de convencer as massas de que medidas podem ser impopulares a curto prazo mas necessárias no processo de desenvolvimento nacional. E que não há nada demais numa democracia se perder uma eleição, desde que o candidato o faça de maneira honrosa, cumprindo seu papel de apresentar algo ao povo.

Ou nos atentamos para isto, ou estaremos cada vez mais reféns de grupos conservadores, vislumbrando o auto interesse, que na maioria das vezes são pouco republicanos como hoje tristemente acompanhamos.
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