Dois
meses se passaram e a indicação de Joaquim Levy para a chefia da economia
brasileira demonstra que na ocasião meu diagnóstico estava correto, sua
nomeação é feita no justamente no sentido de se resgatar a credibilidade
perdida, dado o perfil extremamente ortodoxo do novo ministro.
Não
se deve entretanto, atribuir ao novo ministro da fazenda a responsabilidade de
se realizar milagres, principalmente quando o restante do conjunto ministerial
é de má qualidade, em outras palavras, para a economia ir bem, o governo todo
deve ter eficiência. Eficiência esta que está longe de ser prioridade com a
indicação de Antony Garotinho para o Banco do Brasil, Cid Gomes para a educação
e Gilberto Kassab para o ministério da cidade.
Em
outras palavras, a mera indicação de Joaquim Levy não vai servir para acalmar
os ânimos dos investidores, simples cortes de subsídios e redução do papel do
BNDES na economia já não são garantia de sucesso do ajuste, a situação é grave,
o gasto público cresceu demais e suas vinculações constitucionais prevêem que ele
continue crescendo, a solução passar por redução de benefícios e por medidas
impopulares como: 1° - alterar a regra de pagamento para o seguro desemprego,
2º - diminuir o processo de valorização real do salário mínimo, 3° - venda de
participações do governo em empresas estatais e de ativos em empresas privadas
em propriedade do BNDES-PAR.
A
não realização deste ideário de tarefas por parte do governo, significa que o
ajuste será feito elevando impostos na economia brasileira, o que vai aprofundar
a recessão, terá impacto modesto sobre as receitas públicas, colaborando para a
manutenção do déficit do setor público e para o crescimento da dívida bruta
hoje em lamentáveis 62%, que pode ser ainda mais prejudicada caso o governo
seja chamado a agir em socorro dos bancos públicos sucateados ao longo do
primeiro mandato de Dilma. Dado isto, somada a pressão existente sobre a balança
comercial, perderemos a nossa classificação de Grau de Investimento pelas
agências ratings, isto acontecendo o investidor estrangeiro já desconfiado da
fragilidade da economia brasileira vai fugir em manada, o câmbio vai desvalorizar
ainda mais, as reservas vão sumir e a inflação vai disparar no curtíssimo prazo
e então a dosagem do ajuste será muito mais penoso pra sociedade.
Não
é pessimismo, mas cautela agora pode nos poupar problemas sérios no futuro, a
curto prazo temos duas saídas de difícil alcance: 1° - crescer, nós sabemos que
em 2015 teremos novamente PIB tendendo a 0%, 2° - cortar gastos públicos, o que
dada as vinculações constitucionais exige um esforço muito mais político do que
econômico, é o trade off entre racionalidade e populismo, qual vencerá?





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