A
crise que desde 2010 vem assolando a indústria brasileira, causando séria perda
de dinamismo na economia brasileira até agora passou longe do emprego, o nível
de desemprego continua no recorde nível de 4,7% o que nem de longe traduz a
realidade da economia brasileira, ocorre que a ampla rede de proteção social
criada na constituição e aprimorada nos anos 1990 e 2000 criou no Brasil um
forte incentivo para que as pessoas não trabalhem, fenômeno conhecido na
literatura de economia como desemprego voluntário, que pela metodologia do IBGE
não é captado pela Pesquisa Mensal do Emprego, mas é perfeitamente constatado
nos dados da População Economicamente Ativa que vem retraindo ao longo do
tempo.
A
redução da dinâmica no mercado de trabalho, deve provocar alguns problemas na
economia brasileira uma vez que esta rede de proteção social passou a ser
flexibilizada através da recente e necessária mudança de regra do seguro
desemprego, abono salarial e pensão por morte.
O
primeiro problema é que ao flexibilizar os direitos trabalhistas parte da
população que estava no desemprego voluntário e fora PEA deve voltar para o
mercado de trabalho num momento em que o baixo nível de crescimento e
investimento não estará pronto para absorver esta mão de obra, haverá elevação
do desemprego. O que na prática já existe e não era captado pelo índice.
O
segundo problema é que a expansão do crédito forçada nos últimos anos como
forma de manter algum nível de crescimento comprometeu parte expressiva da
renda das famílias e aumentou o endividamento da população brasileira que já se
encontra em nível preocupante.
Tudo
isto num cenário onde a inflação está insistentemente roçando o teto da meta e
no momento em que o governo opta pelo reajuste de preços e tarifas públicas
(combustível, energia elétrica e transportes públicos) encarecendo
principalmente o custo de vida de quem ganha até 2 salários mínimos.
Se
a crise na indústria se instalou e não foi embora, agora o momento econômico
deve também afetar o setor do comércio varejista, a soma de problemas
acumulados que vão desde desemprego aumento, redução de benefícios sociais,
inflação apertando o custo de vida e endividamento das famílias deve
comprometer a capacidade de compra ao longo de 2015, o reajuste do salário mínimo
não deve ser suficiente pra permitir ampliação do conforto material ao longo do
ano.
Este
cenário já é perceptível, há enorme ociosidade nos espaços comerciais e
shoppings, à revelia disto, as regras para ocupação destes espaços estão cada
vez mais flexíveis, há dificuldade para obtenção de crédito, a dificuldade de
se encontrar mão de obra somada aos custos salariais num panorama onde a
concorrência não permite reajuste de preços, tem dificultado os investimentos
no setor que está mais cuidadoso na ampliação de novos negócios em relação ao
passado.
Está
claro que vivemos um cenário de aperto para o setor e que o ano de 2015 não
será fácil, é preciso buscar alternativas como corte de custos o que irá exigir
uma transformação de custos fixos em variáveis nestas empresas, diferenciação
que vai exigir projetos de inovação e pesquisa para novos produtos, feito isto,
promoções e liquidações vão ajudar a desencalhar estoques antigos e oxigenar o
caixa das empresas, não se trata de crise, mas não devemos esperar um ano de
muitas facilidades o crescimento será abaixo dos anos anteriores.




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