A
exatos 14 anos atrás o país passava por uma situação de racionamento de energia
elétrica que segundo a retórica repetidamente propagada da ex ministra das
Minas e Energia e da Casa Civil e atual presidente da república Dilma Rousseff
estávamos livre deste risco, o que mais uma vez expõe a presidente ao vexame de
ser desmentida pelos fatos.
Está
claro que o racionamento vivido pelo governo em 2015 embora ainda na magnitude
de 10% do consumo, ante 20% em 2001, os efeitos serão muito mais penosos para a
economia do que em relação a 2001.
Isto
ocorre por que o apagão de eletricidade não vem sozinho, desta vez o país vive
um blackout hídrico, de logística, de mão de obra, de gestão, enfim, o único
apagão que não ronda a economia brasileira durante os 12 anos de PT é o apagão
publicitário que foi capaz de vender durante anos um Brasil desenvolvido que de
fato nunca existiu.
De toda parte há inúmeros fatores que nos
direcionam para uma situação mais grave em 2015 em relação a 2001, em primeiro
lugar neste ano a indústria de transformação representava 17% do PIB, enquanto
que hoje representa menos de 13%, ou seja, tivesse o setor industrial (o mais
dinâmico da economia por excelência) o vigor apresentado a 15 anos atrás hoje,
os efeitos do racionamento seriam muito mais dolorosos.
O
segundo motivo para acreditar que em 2001 o racionamento foi menos grave em
relação a atualmente é que na época o país não apresentava problemas inflacionários,
a política monetária era crível como mecanismo de proteção do valor da moeda e
não eram praticados mecanismos estapafúrdios de controle de preços públicas como
os vistos ao longo destes últimos 4 anos.
Paralelamente
à política de preços praticadas em 2001 e 2015 no passado ela não impôs ao
setor elétrico um rombo bilionário como ocorre no presente, de forma que além
dos problemas de estiagem que perduram por um tempo mais prolongado do que o
normal, neste exato momento os ministros de Minas e Energia Eduardo Braga e da
Fazenda Joaquim Levy travam uma queda de braços para decidir se o tesouro fará
uma nova injeção de recursos no sistema elétrico ou não dada a fragilidade
fiscal ao qual está sujeito, isso nos aponta para um cenário no qual novos
investimentos para ampliar a oferta energética do país vão demorar anos para se
materializar e que portanto continuaremos dependendo de São Pedro para gerar
energia.
Outro
motivo para acreditar em efeitos mais prejudiciais do racionamento neste ano é
que em 2001 não havia um ambiente avesso a investimentos privados, concessões e
privatizações que recorrentemente são agredidos pelo atual modelo de
"gestão" econômica do país, em outras palavras, durante o governo FHC
quando os chamados gargalos ao desenvolvimento não podiam por escassez de
recursos de natureza ou financeira ou gerencial ser solucionados pelo Estado, o
governo não era refém de um esquizofrenia retórica estatizante e a privatização
modernizou a oferta de inúmeros serviços públicos no país.
Por
fim, em 2001 não havia previsão de crescimento negativo da economia, nem tão
pouco de achatamento da renda dos trabalhadores, tão logo chovesse os problemas
de abastecimento estariam resolvidos como visto em 2002, hoje ainda que as
previsões de chuva estejam todas erradas, serão necessários anos de ajuste e
bilhões em recursos para reverter a situação do setor energético do país.




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