O
Dólar americano, sagrou-se como melhor investimento de 2014 à frente do ouro,
da renda fixa, da poupança e muito à frente dos imóveis. Há indicativos de que
a valorização do Dólar americano veio para ficar, em primeiro lugar o movimento
não se dá exclusivamente frente ao real, dado o risco de deflação na zona do
Euro e no Japão e às políticas monetárias expansionistas dos respectivos Bancos
Centrais, o Dólar experimenta um fortalecimento frente ao Euro e ao Yene.
É
possível neste sentido apontar para uma valorização do Dólar americano muito
mais estrutural do que conjuntural, a forte recuperação que os Estados Unidos
tem apresentado desde 2013 frente ao resto do mundo, com Europa e Japão em
recessão e a forte desaceleração das economias emergentes, baixo crescimento
nas asiáticas e crescimento negativo no Brasil e Rússia.
Paralelamente
há fatores internos que colaboram com a crença de que a desvalorização cambial
não será revertida no curto e médio prazos na economia brasileira, e novos
movimentos de elevação do preço do Dólar frente ao Real devem aparecer ao longo
de 2015.
O
primeiro deles é o atual passivo externo da economia brasileira, com um déficit
em transações correntes que já ultrapassa 4% (ou US$90 bilhões) do PIB, num
cenário de crescimento negativo do produto e necessidade de se ajustar as
contas públicas é inevitável flutuações para cima da taxa de câmbio para
equilibrar o Balanço de Pagamentos.
Ademais
a inversão dos termos de troca das exportações brasileiras com queda no preço
das commodities sobretudo minerais indica para a insustentabilidade da balança
comercial brasileira uma vez que as quantidades exportadas se mantém mas os
valores das exportações estão caindo levando o país a apresentar déficits
comerciais extintos da nossa economia desde 2001, ou seja, o déficit comercial
brasileiro que se restringia ao setor industrial agora, dada a queda no preço
das agrícolas engloba toda a balança comercial, forçando pressões no câmbio.
A
viabilidade de uma manutenção das taxas de câmbio pela conta capital são
mínimas, dado o baixo crescimento e as desconfianças sobre a economia
brasileira é natural que os investimentos diretos externos diminuam e os
investimentos em portfólio cresçam sugerindo uma elevação forte da taxa de
juros com risco de aprofundar a recessão no país.
A
diminuição do valor do Real frente o Dólar carrega consigo fatores mais
negativos do que positivos, a indústria que sangrou nos últimos anos deve poder
respirar sem ajuda de aparelhos (incentivos e subsídios paliativos setoriais)
como vinha ocorrendo desde 2008, esta observação é importante pois em 2014 o
setor industrial retraiu para menos de 13% do PIB, valor semelhante ao que
representava nos anos 1950. A nova combinação cambial entretanto não será
suficiente para reverter a crise no setor, políticas pró concorrência e pró
competitividade são fundamentais neste cenário, caso o contrário será só
sujeira jogada pra baixo do tapete.
Entende-se
por medidas pró concorrência e competitividade reformas microeconômicas que
incentivem a inovação, ampliem e fortaleçam os mecanismos de mercado melhorem o
nível de educação e consequentemente de produtividade e fortaleça nossa infraestrutura
através de parcerias público privadas e privatizações (sobretudo no setor
elétrico que carece urgentemente de novos investimentos). Sem medidas
estruturantes capazes de promover a competitividade industrial, não será
possível reacender os investimentos industriais mesmo diante do novo valor do
câmbio.
Por
outro lado os fatores negativos estão postos e são graves, a inflação vai
apertar mesmo diante do contracionismo monetário iniciado ano passado pelo
Banco Central, as condições dadas do choque de oferta relacionado à escassez de
recursos hídricos e de energia apontam para um IPCA acima da meta em 2015, com
o enfraquecimento do Real ela deve bater os 8% e recair principalmente sobre as
faixas mais vulneráveis da população que utiliza maior parte da renda para
transporte, energia e alimentos, ou seja, classes C, D e E. Em outras palavras
é evidente que que o custo da desvalorização cambial recairá sobre os ombros do
consumidor, trazendo impactos recessivos e aperto no consumo já prejudicado
pelo aperto no crédito.
O
ideal neste cenário é que o país apresentasse condições saudáveis para se
adaptar a mudanças na taxa de câmbio sejam elas de qualquer natureza, ser
competitivo em períodos de valorização do real e ter preços relativos alinhados
em períodos de desvalorização para blindar seu impacto inflacionário, isto não
ocorreu e com certeza a desvalorização estrutural da taxa de câmbio iniciada em
2014, mas persistente em 2015 vai agravar os problemas da economia brasileira.





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