Já
estamos nos aproximando do meio do ano e com isto, já é possível ver contornos
das medidas implantadas neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, de
concreto até agora, só se sabe que o país irá amargurar um crescimento negativo
de produto superior a 1,5%. A recessão, como estamos vendo será prolongada e
carrega fatores macro e fatores microeconômicos que além de potencializar o
desastre, criam problemáticas para a recuperação.
Até
aqui, as atenções e o debate está centrado no ajuste fiscal, pois ainda não é
crível que o ministro Joaquim Levy entregará a meta prometida de 1,2% do PIB e
isto se dará por que a arrecadação de impostos é muito sensível ao nível de
atividade que está comprometida, além do mais o déficit primário de 0,6% do PIB
de 2014 coloca uma dificuldade adicional ao ajuste.
Os
impostos sobre importações anunciados até aqui devem contribuir muito pouco num
cenário de uma combinação de aumento da taxa de juros, desvalorização cambial e
aumento da inflação que irá reduzir o consumo das famílias e consequentemente a
arrecadação desta modalidade tributária.
A
CIDE, deverá produzir algum impacto positivo na arrecadação, visto que a sua
base de incidência (os combustíveis) possui uma demanda bastante inelástica e,
portanto, deve preencher uma parte do ajuste fiscal. Já o restabelecimento do
PIS e o Cofins incidentes sobre a carteira de trabalho terá um impacto bem mais
limitado, uma vez que o país está fechando vagas de trabalho consecutivamente
ao longo do ano e deve fechar 2015 com um desemprego próximo de 9,5%.
Ao
analisarmos, ainda do lado da arrecadação, os aspectos microeconômicos vemos
que a crise que se abateu sobre o setor de automóveis, eletrodomésticos,
construção civil e bens de capital, deverá derrubar duas das mais importantes
modalidades de receita do governo federal, (IPI e CSLL) e causar uma forte
externalidade na arrecadação do ICMS, o que vai prejudicar os governos
estaduais seja via arrecadação própria, seja via receitas compartilhadas que
dependem do desempenho dos impostos federais.
Se
do lado das receitas as perspectivas não são animadoras, do lado do gasto
público dá para criar preocupação, a dependência de medidas legislativas indica
que alcançar o ajuste fiscal com corte de gastos públicos deverá enfrentar
bastante dificuldades, a aprovação urgente da PEC 664 e 665 que restringem o
acesso à pensão vitalícia e ao seguro desemprego são fundamentais para
colaborar para o ajuste, entretanto, a câmara dos deputados num sinal de
desconhecimento e despreparo aprova a extinção do fator previdenciário, um
mecanismo importante e insuficiente para trazer os dados da previdência e do
orçamento para o equilíbrio. Não foi ainda, contemplada uma nova regra de
crescimento do salário mínimo responsável por coloca um fator de inercia ao
gasto público. A ausência de medidas estruturantes foram compensadas pelo
contingenciamento de R$70 bilhões anunciados pela equipe econômica, as
implicações disto ainda serão conhecidas.
Queda
de produto promovendo queda da arrecadação, ausência de medidas estruturantes efetivas
de redução do gasto público no curto e longo prazo, incapacidade de contemplar
estados e municípios com problemas fiscais no ajuste são fatores, ausência de
um plano mais ousado de desestatização são fatores limitadores do sucesso do
ajuste fiscal em curso, vejamos os próximos capítulos.




Boa noite. Venho parabenizá-lo pela análise, que se mostra lúcida frente à realidade econômica brasileira. De fato, nossa economia, tão maltratada por políticas equivocadas, necessita de ajustes para que volte a crescer e, para tanto, o corte de gastos é essencial.
ResponderExcluirAgradeço suas palavras de incentivo Luiz Paulo, continuaremos estudando e propondo medidas que levem o país a avançar!
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