No
último domingo dia 02/08 o Jornal Correio publicou uma matéria que reportava as
dificuldades enfrentadas pelo empresariado que redundaram em um exorbitante
número de 1700 empresas encerradas no primeiro semestre de 2015, sendo este um
número duas vezes maior do que o apresentado em todo o ano passado. É evidente
que o cenário macroeconômico está se deteriorando rapidamente, mas é preciso
ponderar que, entretanto, a economia brasileira passa por um período de ajuste,
e ajustar significa tornar os indicadores mais próximos da realidade. No caso
da economia brasileira, fomos enganados durante o período que vigeu entre 2007
e 2014 com indicadores que sob nenhuma perspectiva, condizem com as reais
possibilidades de um país pobre e subdesenvolvido.
É
importante dizer, que assim como o pleno emprego verificado no período anterior
– taxas invejáveis inferiores a 5%, como o ritmo de crescimento do produto que
mostrou robustez sobretudo no segundo governo Lula, encerrado com surreais 7,5%
em 2010, eram números incoerentes com um país cujo o nível de poupança doméstica
(que financia os investimentos) são patéticos 14% do PIB frente 40% dos países
asiáticos que apresentam taxas de crescimento neste nível.
Mais
ainda, um país cujo a produtividade do trabalho está muito aquém dos nossos
competidores desenvolvidos, cujo os sindicatos e benefícios trabalhistas não
perturbam a competitividade graças aos ganhos de produtividade encontrados
nestes países, e por outro lado, nossos custos trabalhistas (além de tributários,
logísticos, contratuais, entre outros) estão muito além dos chamados países
emergentes, os quais apresentam uma produtividade relativamente menor, mas
compensam com custos também menores. Em outras palavras, o Brasil é um ponto
fora da curva, pois não consegue ser competitivo seja pelo canal da
produtividade, como ocorre nos países ricos, seja pelo canal dos baixos custos,
como fazem os países que um dia aspiram tornar-se. Percebam que a indústria de transformação
representava 17% do PIB em 2002 e hoje está em torno de 12%.

Fica
claro neste aspecto que o vôo de galinha apresentado no período anterior além
de artificial, se manteve por algum tempo graças à inversão dos termos de troca
apresentados na última década onde a valorização das commodities no mercado
internacional produziu superávits comerciais e retardou nosso drama fiscal que
acreditem, veio para ficar.
Os
números do retrocesso são bastantes claros se olharmos para a macroeconomia,
chegaremos ao final do ano com inflação próxima de 10%, desemprego também,
crescimento econômico negativo na faixa de 2%, juros próximos a 15%, câmbio
próximo a R$3,70, inadimplência nas alturas, enfim, vivemos uma situação macro
que beira o descontrole.
Mas
o problema mais grave não se dá a nível macro, voltando para as falências, o
grande problema da atualidade que inviabilizará a retomada do crescimento para
os próximos anos está na microeconomia, os anos de heterodoxia desestabilizaram
através de uma política de incentivos setoriais, perturbando temporariamente a
alocação dos recursos por empresas e famílias criou uma enorme capacidade ociosa
em vários setores do lado da oferta e saturação do lado da demanda, construção
civil, indústria automobilística, de bens duráveis e de bens de capital são
exemplos que estão de frente para a verdadeira realidade da economia
brasileira.




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