É
como se o comandante do Titanic tivesse mesmo diante de medidas corretas – como
o ajuste fiscal em curso – perdido a sua capacidade de comando sobre a
tripulação que decidiu conduzir o navio por própria iniciativa e dada a falta
de consenso existente na tripulação não há possibilidade até que surja uma
segunda voz de comando de tirar da rota do iceberg.
Diante
disto, dia 16 de agosto nos parece uma data crucial para se definir uma nova
rota para o Brasil, é evidente que, seja com o comandante atual, ou com
qualquer outro que venha a surgir no futuro breve, o país precisa em primeiro
lugar mudar a rota que vai colidir com o Dowgrade da nossa dívida soberana,
ampliando em larga escala os efeitos da crise, e em segundo lugar que seja
capaz de fazer o país prosseguir em frente, numa agenda de reformas, de
fortalecimentos da nossa economia pelo lado da oferta e de sustentabilidade.
A
primeira agenda neste sentido é definir se, a mudança de rota se dará com o
comandante em curso ou com outro qualquer que venha a substituí-lo, ou seja, a
primeira pauta a ser debatida é o impeachment da presidente Dilma. Diante
disto, vale ressaltar que discutir a saída da presidente não é golpe, e muito
menos é revanchismo de quem não entende a democracia ou votou em uma das
candidaturas derrotadas o ano passado, tratar de um assunto desta profundidade
com argumentos tão simplistas é no mínimo, desonestidade intelectual de uma
esquerda que hoje quer o poder apenas pelo poder, pois é incapaz de entregar à
sociedade o sonho do desenvolvimento por ela prometida.
Não
é meu intuito defender ou não a saída da presidente Dilma, muito embora seja um
economista de oposição à este governo, ainda não está claro para mim as
ponderações sobre as causas e as consequências de uma eventual saída sua, muito
embora acho que esta é uma discussão que deva ser levada a diante, até para
esgotarmos esta pauta, não podemos coexistir na incerteza e na insegurança
quanto ao futuro da condução do país, portanto, seja para que ela saia, ou para
que ela fique, esta é uma discussão que o quão mais cedo for encerrada, melhor
será para o horizonte de expectativas, para estancar o processo de crescente
pessimismo que paira sobre nossa economia, e consequentemente para restabelecermos
alguma normalidade no país que já foi das maravilhas.
Há
pelo menos 3 elementos que em conjunto podem sim tirar uma presidente do
exercício da função, a base jurídica está sustentada por elementos cada vez
mais novos e graves das incontáveis fases da lava jato além do descumprimento
da lei de responsabilidade fiscal ano passado, onde pedaladas e mágicas
contábeis destruíram as contas públicas, os elementos políticos estão postos,
hoje a presidente não tem controle sobre a própria base política que a afronta
e desvia o navio da rota de correção, e por fim a base popular, neste aspecto
16 de agosto se torna estratégico, uma vez que se repetir o dia 15 de março,
será muito difícil sustentar no cargo a débil presidente.




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