Publicado no Jornal Correio em 07/04/2015
Poucos
dias após a publicação neste espaço do meu artigo denominado “Conspiração dos
Influentes”, onde relatava a atuação de grupos de interesse reacionários e
corporativistas, que parasitam as entranhas do Estado em busca da maximização
do auto interesse, se utilizando de uma retórica coletivista e democrática
incompatível e incoerente com sua atuação prática, tomo com tristeza
conhecimento de uma “Nota em defesa da democracia e da liberdade de pensamento”
assinada pela reitoria.
A
referida nota que torna a opinião pessoal dos dirigentes da universidade como
sendo a opinião institucional e não contempla, entretanto, a opinião da
totalidade da comunidade universitária, e é em nome desta EXPRESSIVA parte que
não está representada pela referida nota que escrevo este artigo, pelas razões
que listo abaixo.
1°
Não é moral que os meios de comunicações da universidade, custeados com
dinheiro público sejam utilizados para difundir de forma parcial as opiniões de
apenas uma parte da comunidade científica.
2°
Esta pretensa nota escrita ou aplaudida por aqueles que se auto proclamam os
defensores da democracia, mas que dilapidam o patrimônio público como no
lamentável episódio da quebra do busto do Dr Rondon Pacheco no ano passado.
3°
Uma nota que se diz em “defesa da liberdade de pensamento” e que reivindica
“respeito à diversidade e tolerância com os diferentes” mas que denomina como
“argumentos pseudo-jurídicos de combate a corrupção”, ou ainda “mecanismos de
(de)formação de opinião” os argumentos contraditórios no próprio corpo do
texto, torna flagrante a incoerência entre o discurso e a prática destes
“pseudo-democratas”.
4°
Questiono se a tal nota foi escrita mediante a consulta prévia às unidades
acadêmicas que estão sofrendo e tendo atividades científicas comprometidas,
diminuídas ou paralisadas dado os cortes de recursos vistos durante todo ano de
2015 e ampliados este ano, graças a erros de política econômica deste governo
que recebe uma defesa implícita pela referida nota.
Gafes
como esta que causam espanto na comunidade externa à UFU e desgosto naqueles
que lá passam partes importantes de seus dias, isto se dá devido à confusão que
alguns grupos possuem entre partido e instituição, é preciso reconhecer e
respeitar a opinião pessoal daqueles que são contra o impeachment. E sendo
flagrante a identificação do grupo que hoje responde pela reitoria com o PT,
não se pode aceitar é que isto se confunda com a opinião institucional que
compreende um corpo mais amplo de opiniões.
É
justificável tal (im)postura visto a aproximação com o processo de consulta
para a indicação do próximo reitor, a nota trata-se de um apelo visando apelar
as “esquerdas universitárias” com vistas a este processo. Não calcularam entretanto
os riscos envolvidos nesta estratégia, dado que uma parte crescente do
pensamento de esquerda na UFU não concorda com o que está acontecendo no país e
colocam os interesses da Universidade à frente das preferências ideológicas
comuns a todos.
A
Universidade que se diz pública, gratuita, de qualidade e laica, não pode se
dizer apartidária, dada a vassalagem de grupos reacionários lá influentes em
relação a seus interesses ideológicos e partidários, ceifando a beleza existente
na coexistência de opiniões divergentes, e assimilar a opinião institucional
por meio de nota à um único ponto de vista não é bom para instituição.




Professor Salomão,
ResponderExcluirArtigo do Professor Roberto Bueno me remeteu à leitura de outra matéria: “A UFU não é um Partido”, de sua autoria. Oportuna e judiciosa, me permito opinar.
Alguns dias após a destruição do busto de Dr. Rondon, ouvi dele, em conversa telefônica, a seguinte pergunta: “Será, José, que algum dia o meu trabalho será compreendido?” - aos 96 anos de idade, cansado e preocupado com o rumo dos acontecimentos.
A propósito, as manifestações, contrárias ou favoráveis, guardam espírito de justiça?
Parabéns pelo trabalho, sobretudo pela isenção.
José de Castro Gonzaga
Professor Salomão,
ResponderExcluirArtigo do Professor Roberto Bueno me remeteu à leitura de outra matéria: “A UFU não é um Partido”, de sua autoria. Oportuna e judiciosa, me permito opinar.
Alguns dias após a destruição do busto de Dr. Rondon, ouvi dele, em conversa telefônica, a seguinte pergunta: “Será, José, que algum dia o meu trabalho será compreendido?” - aos 96 anos de idade, cansado e preocupado com o rumo dos acontecimentos.
A propósito, as manifestações, contrárias ou favoráveis, guardam espírito de justiça?
Parabéns pelo trabalho, sobretudo pela isenção.
José de Castro Gonzaga – jose.gonzaga@camara.leg.br