No
cenário econômico em que se aprofunda a perspectiva crítica da economia
brasileira, nem tudo é má notícia, olhando o lado da oferta, constata-se que
ganhos de produtividade e eficiência são capazes de amortecer efeitos perversos
de qualquer crise, isto é visível quando se observa os números e as projeções
do setor agrícola.
A
economia surge na fisiocracia, e os economistas clássicos previam uma economia
que combinava três fatores de produção, terra, capital e trabalho. A percepção
que o total de áreas de agricultáveis eram fixas e que portanto a produção de
alimentos encontraria limites no futuro, levou Thomas Malthus a profetizar que
o crescimento populacional provocaria escassez de alimentos, pobreza e miséria.
Malthus
se popularizou pelos séculos ao escrever Ensaios
sobre a População em 1798 e utilizou as informações que dispunha a seu
tempo, não pode ser culpado hoje, por ser desmentido pelos fatos, sobretudo
após a segunda metade do século XX onde a produtividade no campo levou a
enormes economias de escalas em praticamente todos os ramos de atividade, com
uma enorme contribuição brasileira neste processo.
A
produção agrícola brasileira apresenta um comportamento próprio, em primeiro
lugar trata-se de um setor intensivo predominantemente em capital, e
economistas industriais que perdoem, mas criticar a reprimarização da pauta
exportadora brasileira baseado na hipotética perda de tecnologia envolvida na
exportação agrícola, é desconhecimento sobre o volume de tecnologia que hoje se
emprega para produzir um grão de soja.
Mas
as diferenças do agronegócio para os demais setores não se dão apenas no que
tange a produtividade ou o conteúdo tecnológico. O setor se comporta com uma
relativa estabilidade evidenciada quando contrastamos a evolução do PIB
agrícola em 2015 que fechou positivo em 1,8% quando quase todos os outros
demais setores caíram e puxaram o resultado global do PIB para – 3,8%.
E
as perspectivas para o setor são bastantes promissoras, quando se observa por
exemplo, a tendência de preços internacionais de commodities agrícolas
contrastadas com as minerais e energéticas, segundo dados do Banco Mundial os
alimentos foram os que apresentaram a menor queda de preços e os que devem ter
a recuperação em prazo mais curto.
No
que tange à produtividade, os números são impressionantes, a começar pelo
complexo de carnes, mais que dobrou a produção que partiu segundo o IPEA de 12
milhões de toneladas em 1997 para quase 26 milhões em 2014. As perspectivas
para este setor são bastante otimistas e a produção tanto de cortes bovinos que
devem crescer 18%, quanto de cortes suínos e de aves devem crescer
respectivamente 32% e 31% nos próximos 10 anos segundo as projeções da Embrapa.
A
mesma tendência se vê na plantação de grãos, segundo o IPEA a produção saiu de
76 milhões de toneladas em 1994 batendo 193 milhões em 2014, no mesmo período a
área plantada avançou de 39 para 56 milhões de hectares. Para os próximos 10
anos as expectativas são bastante animadoras, o país deve produzir 259 milhões
de toneladas de grãos em uma área de 65,8 milhões de hectares.

O
principal destaque é o complexo da soja, as projeções mais conservadoras
indicam um crescimento de 34% para os próximos 10 anos, saindo dos atuais 94
milhões de toneladas para prováveis 126 milhões. As perspectivas são animadoras
sobretudo dada a uma provável mudança nos hábitos alimentares dos brasileiros,
que devem expandir seu consumo do alimento em 10 milhões de toneladas para além
dos atuais 44 milhões.
Expansão
igualmente promissora deverá ser a do milho, a produção do grão em 2014 foi de
79 milhões de toneladas, tudo indica que em 2025 chegara a 100 milhões de
toneladas, mais do que suficientes para cobrir o aumento de consumo esperado
que deve saltar em 10 milhões de toneladas além dos 55 milhões atuais.
Ambos
os alimentos consistem em setores estratégicos para a economia nacional, pois
mais do que compor os hábitos alimentares dos brasileiros, estes integram como
insumos para a indústria de rações que vão alimentar rebanhos o que torna um
elemento de competitividade para o complexo de carnes.
No
que tange a fruticultura, somos líderes mundiais na produção de laranjas, as
projeções indicam um crescimento das exportações na ordem de 16,9% para os
próximos 10 anos. Quanto as demais frutas, as perspectivas são extremamente
positivas, a produção do melão, maçã, manga, uva, mamão e a banana devem
crescer respectivamente 39,3%, 31,2%, 25,9% 21,1%, 12,6% e 9,1%.
Igualmente
importantes e presentes na dieta dos brasileiros, o arroz, o feijão devem
crescer, porém a taxas mais modestas, a expectativa é de respectivamente 7,2% e
0,5%. E o trigo, importante insumo de alimentos ricos em carboidratos deve
apresentar um crescimento significativo de 29% até 2025.
O
complexo da cana que foi altamente penalizado pela política de represamento de
preços do petróleo no primeiro governo Dilma deverá ressurgir com bastante força
nos próximos anos, a perspectiva é de um crescimento de 72% até 2025.
Em
resumo, a agricultura brasileira embora beneficiada uma demanda crescente e
inelástica, prova para o mundo e para os demais setores que é possível exportar
independente da taxa de câmbio, que é possível crescer mesmo na adversidade, e
que ganhos de produtividade é o caminho para vencer a crise e afastar em
definitivo o demônio da escassez malthusiano.




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