Publicado nos jornais Diário do Comércio e Gazeta em 17/02/2017.
O
ano de 2017 avança e os problemas econômicos - embora haja uma pequena injeção
de otimismo na economia - persistem. Há uma pequena esperança de que este ano
seja melhor do que o anterior, ancorada na resolução de inúmeros problemas
macroeconômicos, tal como, contas externas, taxa de juros, câmbio e inflação,
todos estes agregados estão voltando para o lugar, isto no entanto, ocorreu
graças as expectativas dos agentes de que o governo vá solucionar o impasse
fiscal, ou seja, caso estas expectativas se frustrem, haverá uma nova onda de
pessimismo que contaminará a macroeconomia.
Mas
hoje, o maior desafio brasileiro é a microeconomia, que dada a flagrante perda
de produtividade e competitividade dos nossos setores, somadas a limitações do
lado da demanda, amplificadas pelo auto desemprego e pelo excessivo
endividamento e inadimplência que persistem, de que forma a microeconomia
reagirá ao longo de 2017?
Dentre
estas preocupações microeconômicas, vale ressaltar a importância do varejo, por
ser o setor intensivo em mão de obra e, portanto, cujo desempenho ruim afeta
decisivamente o mercado de trabalho. Em 2015 o comportamento não foi bom, e em
2016 mais uma vez deixou a desejar, apresentando queda recorde de - 6,2%. O
Natal principal data para o setor, ficou também comprometido com um
comportamento negativo, as vendas apresentaram queda em relação a dezembro de
2015 de - 4,9%. Também caíram em relação a novembro, apresentando queda de -
2,1%.
No
que se refere aos setores do comércio varejista, é importante salientar que
todos apresentaram comportamento negativo em 2016, mas esta tendência foi mais
evidente em setores de bens de consumo duráveis. A maior queda foi verificada
no setor de livros e papelaria - 16,6%, seguido pelo setor de veículos e motos
- 14%, eletrodomésticos - 12,8%, informática - 12,3% e móveis com - 12,1% de
queda.
Setores
de bens de consumo corrente, também apresentaram queda, no entanto, mais suave,
foi o caso do setor farmacêutico, cujo o desempenho foi de - 2,1% e o de
supermercados, com queda de - 3,1%. Diante disto, é possível fazer perspectivas
para estes setores? Dado que houve por dois anos queda do consumo, é inevitável
que haja consumo reprimido nas famílias brasileiras, sendo assim é possível
haver alguma margem para que em 2017 alguns setores saiam do desempenho
negativo e passem para o positivo, será o caso, certamente dos setores de
farmácia e supermercados.
Outros
fatores podem servir para melhorar o consumo nestes setores em 2017, medidas
como o direito ao saque do FGTS, a obrigatoriedade do cadastro positivo devem
repercutir nas vendas, no entanto, isto se dará apenas no segundo semestre do
ano. Já os setores mais atingidos pela crise, devem apresentar sua recuperação
de forma mais lenta, em geral, dependem de um nível de crescimento do emprego e
da renda mais robustos e, principalmente, dependem do crédito, ainda é
prematuro prever o comportamento deste mercado ao longo deste ano,
principalmente devido ao nível da inadimplência, sabidamente alto e que afeta a
demanda por crédito para novo consumo.
A
inadimplência atinge hoje segundo a Serasa mais de 50 milhões de pessoas, cujo
as dívidas atrasaram em mais de 90 dias, em geral, com modalidades de crédito
de altíssimo custo, como cartão de crédito e cheque especial, e consiste hoje
no grande limite para o crescimento das vendas em 2017.





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