Publicado no Jornal Diário do Comércio em 02/02/2017 e no Jornal Gazeta de Uberlândia em 03/02/2017
É
momento de acionar o alerta vermelho nas sociedades avançadas, quanto aos
riscos políticos que suas democracias estão incorrendo, a ameaça populista.
Conhecida prática política da América Latina, disseminadora de miséria e de
desgraças, o populismo, achávamos havia sido sepultado das nações desenvolvidas
após a catástrofe dos regimes nazi-fascistas que vigoraram na Europa da
primeira metade do século XX.
No
campo da retórica, regimes populistas são marcados pelo ódio ao estrangeiro,
identificado sob duas perspectivas: 1° se o país é pobre, o discurso populista
se dá pela disseminação do ódio contra os “imperialistas” e, 2° se o país é
rico, a narrativa é pela xenofobia às populações de países pobres, justificada
pelo discurso da segurança. Tais regimes ainda são marcados pelo culto ao
líder, representado pela insurgência de uma figura messiânica, que se coloca em
uma posição de superioridade e, muitas vezes, despótica, além do desrespeito ao
contraditório e ás oposições.
Já
no que se refere a economia, a prática só vem chancelar o discurso. As
restrições ao comércio internacional surgem no sentido de boicotar as “nações
culpadas” pelos problemas domésticos, segundo esta abordagem, desemprego, baixo
crescimento, baixos salários, seriam fruto da “concorrência desleal” que outros
países praticam contra a economia doméstica e, portanto, o protecionismo se
justifica. Já o culto ao líder onipotente é chancelado pela irresponsabilidade
macroeconômica, através do manuseio de políticas fiscal e monetária
expansionista.
No
que se refere à inconsistência das políticas macroeconômicas, a profecia de
Dornbush (1990), alega que esta se divide em quatro fases: 1° a expansão fiscal
e monetária produz crescimento da demanda agregada, elevando a curto prazo, o
produto e o nível de emprego. Esta primeira fase, de acordo com a Teoria da
Escolha Pública de Tullock (1976), desperta no eleitor, que possui uma visão
míope sobre o futuro, uma sensação de bem estar no presente, favorecendo desta
forma, a permanência da situação no governo.
Entretanto,
dado que no longo prazo, o crescimento do produto e do emprego, é conduzido
pelo lado da oferta, não respondendo a incentivos pelo lado da demanda, as
políticas fiscal e monetária não fazem mais efeito sobre o produto e emprego,
sendo na segunda fase, caracterizada pelo excesso de demanda criada no curto
prazo, causando persistência de déficits orçamentários e externos, além de taxa
de juros abaixo do equilíbrio, transforma em alta de preços no longo prazo,
atirando a economia na terceira fase, chamada de fase crítica, na qual o câmbio
se desvaloriza, a inflação se eleva, diminuindo o bem estar social.
Apenas
na quarta fase, haveria uma reversão da política macro, no sentido a se
promover um ajuste fiscal e um aperto monetário, retirando desta forma, o bônus
político do populista, que tende a ser penalizado pelo eleitor. No Brasil,
vivemos isso no período recente, com Lula e Dilma, também na Argentina,
Venezuela e outros. Agora, está sendo a vez de nações maduras reexperimentarem
este modelo, décadas depois do fracasso do fascismo. Surge em resposta ao
modelo institucional, soerguido nos governos Thacther e Reagan e formalizado no
consenso de Washington, que tanto bem estar e progresso disseminou no ocidente,
as consequências desta afronta ao bom senso, como no passado, serão
indesejáveis para a humanidade.





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