Foi anunciado pelo ministro da fazenda um congelamento de gastos do governo no valor de 10 bilhões de reais, o anuncio foi feito no dia seguinte ao anuncio do ministro do planejamento Paulo Bernardo de cortar 21 bilhões em gastos correntes da união.
Ambas as notícias são muito bem vindas pelos analistas que já vinham insistindo no arrocho fiscal a bastante tempo, e muitos atribuem a falta de austeridade do governo o fato de o Brasil ter uma elevada taxa de juros.
O fato é que o Banco Central já deu o recado, se a economia brasileira superaquecer um novo ciclo de aumento de juros vai ser a alternativa para manter a inflação dentro da meta, na ultima reunião do copom este posicionamento já ficou evidente com a elevação da taxa em 0,75 pontos, afim de frear o consumo brasileiro.
O grande pesar diz respeito ao fato de que o governo não poupando, ou não cortando gastos, a penalização da gastança do governo recai sobre as famílias que terão que comprimir seu consumo.
A conta acontece da seguinte maneira, a atual estrutura produtiva brasileira não comporta um crescimento do consumo a nível chinês de 10% ao ano sem aumento de preços, se o governo não fechar a torneira do gasto, quem será penalizado é o consumidor, pois o aumento da taxa de juros encarece o crédito tanto para que este possa consumir, quanto para que as empresas invistam e ampliem sua capacidade produtiva, gerando assim um ciclo vicioso.
Com estas medidas o governo alivia em parte as pressões inflacionárias que ameaçam a estabilidade neste começo de ano, entretanto a implicação empírica disto não sinaliza a estabilidade da taxa de juros no Brasil.
Mais do que isso com estas medidas tomadas, o governo assume que vem errando na sua política fiscal, e com isso municia a oposição em pleno ano eleitoral que advertiu desde sempre para os problemas da frouxidão fiscal do governo Lula.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
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Corte de gastos?
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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