Há uma certa nuvem de euforia no Brasil devido a condução de curto prazo da política econômica, ou seja, em um curto período o país vai bem, crescendo a taxas robustas e com estabilidade de preços.
Entretanto a pergunta que não cala e que não há consenso em sua resposta é:
Será mantida em médio e longo prazo esta sensação de que a economia vai bem?
A resposta, se observarmos pelo prisma histórico nos diz que, sempre que houveram os "milagres econômicos" no Brasil, períodos sequentes foram marcados, por inflação fora de controle e estagnação.
Foi assim após as metas de Jucelino e também depois do "milagre" dos anos 70.
Mediante a este raciocício podemos nos fazer outra pergunta:
Podemos trazer para os dias atuais a realidade e os resultados dos momentos de boom econômico anteriores?
Fazendo uma análise minunciosa do assunto, creio que devemos ter cautela no que diz respeito a condução da política econômica daqui por diante.
Temos um problema nas contas externas que deve ficar deficitária em U$50 bilhões este ano sendo provável que o financiamento do déficit não se dará integralmente pelos investimentos diretos.
Outra questão que podemos chamar a atenção se relaciona com a poupança interna do Brasil que hoje é de 14% do PIB, muito aquém dos países asiáticos que poupam 40% do que produzem e por isso inclusive crescem a taxas de 10% ao ano já a quase 2 décadas.
Com poupança baixa o reflexo imediato é a falta de investimento, hoje este indicador corresponde a 18% do PIB enquanto na China coresponde a 51%, resultado, falta infra-estrutura, pesquisas em tecnologia e restrição do aumento da capacidade de oferta.
Portanto creio que alguns ajustes possam ser realizados, talvez um rigor fiscal mais efetivo nas contas públicas e uma taxa de juros menor para incentivar a poupança e o investimento.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
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A condução da política econômica precisa de ajustes?
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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