segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Diplomacia Lulista

Política externa é um assunto que não costuma ser debatido com a profundidade merecida em períodos eleitorais, e os ultimos acontecimentos relevantes na área nos faz meditarmos sobre uma profunda reflexão.
Creio que a diplomacia lulista é dotada de alguns fatores no mínimo curiosos, em primeiro lugar concordo com o professor Celso Lafer quando diz que a política externa do atual governo é muito mais voltada para aquisição de prestígio internacional ancorada na personalidade do presidente Lula do que na priorização dos próprios resultados obtidos por uma política externa orientada para satisfazer o interesse nacional.
Vale a pena lembrar que a diplomacia deste governo tem sido constantemente marcada pelo voluntarismo exacerbado em muitos casos mediando conflitos que não correspondem ao interesse nacional e em muitos casos adotando a política de dois pesos e duas medidas na solução destes conflitos.
É muito clara a adoção de dois discursos diplomáticos diferentes conforme a situação externa que o país se envolve, podemos citar dois casos muito distintos do ponto de vista da ação diplomática deste governo envolvendo países da américa central.
Desde 2003 o presidente Lula e sua equipe diplomática impulsionados por uma afinidade provávelmente ideológica – relacionada ao programa partidário, nunca o de governo – tem se aproximado de países como Cuba e Venezuela, onde os regimes vigentes estão muito longe de serem considerados democracias, com estes países o governo brasileiro tem desenvolvido relações muito saldáveis.
Com Honduras entretanto a situação foi muito diferente, em nome da democracia o governo brasileiro interferiu na situação interna do país, afrontando a constituição e a suprema corte do país que depuzeram do governo Manoel Zelaya, instalaram um governo interino que convocou novas eleições, elegendo democráticamente o presidente Porfírio Lobo que o Brasil provavelmente orientado pela Venezuela não reconheceu como presidente hondurenho.
Confesso que me parece no mínimo curioso o comportamento do governo brasileiro nestes dois casos, primeiro troca afagos com presidentes américa latina a fora que podem ser considerados qualquer coisa, menos democratas, depois provavelmente incentivados por estes próprios governos o Brasil interfere em Honduras em nome da democracia? É a isto que me refiro quando menciono os dois pesos e as duas medidas da diplomacia lulista.
No caso do Irã a história é a mesma, o Brasil um país cuja a constituição proíbe a fabricação de arsenal nuclear para fins militares, um país que vive em uma zona desnuclearizada e que não possui inimigos, contrariando o mundo todo em favor de um regime fundamentalista, radical que não respeita os direitos humanos nem a democracia.
O Irã alega que o enriquecimento de urânio são para fins pacíficos, pura e simplesmente para a geração de energia, se assim for não há problema em aceitar as condições propostas pela ONU, e mesmo que seja com finalidade pacífica o que eu não acredito baseado na postura do presidente iraniano, não cabe ao Brasil se envolver nesta questão, a sociedade brasileira não ganha nada com isto e o Brasil passa a chamar a atenção de maneira negativa ante o mundo.
Portanto creio que será dever do próximo presidente estabelecer ajustes na política externa, adotando uma postura mais coerente em pró da disseminação da democracia pelo mundo e menos voluntarista.
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Um comentário:

  1. Concordo com você camarada, a política externa brasileira tem se mostrado de várias facetas, tentando agradar a todos sem demonstrar uma posição no mínimo coerente com seus objetivos. Não se pode querer ficar neutro em todas as situações.

    Felipe Vilela

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