É inegável que o país está vivendo um momento de prosperidade econômica como em poucos momentos na sua história, e que naturalmente as pessoas tendem a acreditar que nada pode interromper esta rota de desenvolvimento econômico pelo qual o páis está atravessando, entretanto chamo a atenção para alguns detalhes.
O Brasil tem um nível muito baixo de poupança doméstica, e consequentemente de investimentos, além disso desde o ano passado o país tem elevado o seu déficit com o restante do mundo que este ano será recorde.
No curto prazo é evidente que estes indicadores não serão motivo de preocupação nem para as autoridades na área econômica e nem tão pouco para a população, entretanto se o país quer efetivamente adentrar em uma rota de desenvolvimento econômico sustentado e com vistas ao longo prazo é bom começar-mos a semear desde já.
Priorizar um superávit primário mais austéro com foco no corte de desperdícios e de gastos de custeio desnecessários seria um bom começo, haja visto que tal indicador auxilia no controle da relação dívida/PIB além de ter impacto sobre a demanda – haja visto que o governo retira mais dinheiro do que devolve da economia – favorecendo uma política de juros reais mais baratos no Brasil.
Este é o momento propício para que o país abaixe seus juros, o desastre câmbial que acena para nossa economia exige que o Brasil reduza seu hiato de juros reais com o restante do mundo – que está próximo de zero nos países desenvolvidos – para que assim a moeda americana não esteja tão desvalorizada frente ao Real o que prejudica nossas indústrias, assim como nossa economia como um todo.
A questão cambial por sua vez traria impacto direto nas importações tornando-as inviáveis ao mesmo tempo que estimulando as exportações, trazendo assim uma situação mais tranquila no que tange nosso déficit externo que deve chegar este ano a U$50 bilhões.
O incômodo do déficit no balanço de pagamentos esbarra no problema do câmbio exessivamente valorizado o que por sua vez esbarra nos juros que são relativamente altos se comparados com outros países, os juros não caem sem que o governo realize controle da inflação através do seu mecanismo alternativo que é a política fiscal aumentando o superávit primário, e se os juros estão mais baixos, isto trás uma realidade favorável na relação divida/PIB o que acaba por desonerar ainda mais as contas públicas, além de juros mais baixos apresentarem impacto direto nos níveis de poupança e investimento fundamentais para que o crescimento brasileiro se dê em bases sustentáveis e vigorosas.
Não há investimento sem poupança, e se os juros reais forem altos, como no caso brasileiro, o país tende a depender exessivamente de poupança externa para financiar os investimentos, o que acontece neste exato momento da economia brasileira, fazendo aumentar a cada dia o déficit externo e com reflexos na taxa de câmbio desnecessáriamente valorizada, a economia brasileira no entanto não precisa de uma revira-volta, a economia do país precisa sim de ajustes e de rigor na condução da política econômica. No curto prazo as coisas estão caminhando, a sensação de bem estar na qual a população brasileira se encontra submergida no entanto, veda os olhos e cala a voz da crítica, mas devemos priorizar o permanente em detrimento do temporário, só assim teremos um Brasil em 2030 melhor do que em 2010, assim como hoje é melhor do que em 1990.
domingo, 10 de outubro de 2010
Home »
» Temporário vs permanente
Temporário vs permanente
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




Interessante sua reflexão Benito, e o texto tá muito bem escrito! Sou totalmente de acordo no sentido de adotar políticas com um foco no longo prazo...e acho que, historicamente, essa tem sido a maior falha dos policy makers no Brasil, desde muito muito tempo.
ResponderExcluirVocê tem uma noção de raciocínio econômico, de encadeamento mesmo muito boa! E com essa ferramenta, você tem tudo para concluir o curso de economia e se tornar um bom profissional na área. Então vai um conselho: mata logo essas matérias até o quarto periodo pq isso é só introdução, base...economia de verdade, onde vc vai aprender a teoria disso que vc tá falando, é só a partir do quinto!
Um abraço,
Wagner
(com saudades do Brasil e da economia brasileira, mas tentando entender o funcionamento da economia francesa!)