quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O drama da segurança

Confesso que tenho cada vez mais me distanciado da televisão devido a baixa qualidade de sua programação, sobretudo no que tange jornalismo policial se é que aquilo pode ser chamado de jornalismo uma vez que este tipo de programação não se contenta em informar a situação – calamitosa é verdade – mas sim faz sensacionalismo em cima de uma situação constrangedora aos brasileiros e por tabela amedronta a população honesta.
Entretanto tenho que concordar com a televisão que a segurança de forma geral neste país tem deixado cada vez mais a desejar e ela tem se redistribuído geográficamente pelo país, prova concreta e cabal é que em um passado bem próximo estes programas policiais se restringiam a falar da situação dramática da violência em São Paulo, hoje no entanto acompanhamos diariamente ataques às delegacias na Bahia como o ocorrido no início deste ano, tentativa de ataque ao carro do presidente do TSE de Sergipe como vimos a poucos meses no noticiário e agora esta onda de ataques deixando mortos e feridos no Rio de Janeiro como temos presenciado.
Não quero ser obscurantista a respeito do tema, mas creio que estes mais de 20 anos de repressão ao contrabando de drogas só serviram para intensificar a venda, o consumo e de tabela a violência urbana que o país vem sofrendo.
Terminada a eleição e desmontados os palanques me lembro de ter ouvido por parte do candidato que apoiei uma série de boas medidas que poderiam ser implantadas e poderiam surtir resultado no quesito segurança pública, onde o mais fanático petista é obrigado a assumir que seu governo deixou muito a desejar na área.
A criação de um ministério para trazer para a pauta do governo federal o assunto é o primeiro passo, hoje o combate ao crime é de responsabilidade dos governos estaduais o que explica em parte a redistribuição geográfica do crime que mencionei, uma facção é derrotada em um estado e migra para outra onde a atuação do governo seja mais débil, com a união no combate não adianta um grupo criminoso mudar de um estado para outro.
A implementação de uma guarda nacional foi proposta por Serra e é uma idéia bem vinda, uma vez que o governo do Rio de Janeiro por exemplo não tem efetivo policial suficiente para reprimir o crime organizado na proporção que ele tem se mostrado.
Me lembro que nas eleições de 2006 o doutro Geraldo Alckmin mostrou em sua propaganda uma amostra do descaso que este governo tem tratado o policiamento de fronteira, que é importantíssimo no sentido de inibir a entrada de drogas e de armas desmuniciando neste caso os bandidos no quesito suprimento de armas, Serra este ano reforçou a tese e o argumento do governo é que existe uma espécie de disco voador que fiscaliza nossas fronteiras, o que sinceramente se existe se mostra de uma total ineficiência, pois drogas e armas entram no Brasil com a maior facilidade.
Outro projeto que já funciona e bem em São Paulo são as clínicas publicas de tratamento dos dependentes quimicos, embora embrionárias sua expansão nos próximos anos se mostrará de fundamental importância uma vez que elas atuam não na repressão do tráfico, mas sim no controle da demanda por drogas o que acredito que funcione melhor que a repressão.
Estas foram algumas propostas que foram feitas a respeito da segurança pública no Brasil, não resolvem o problema, mas pode ser a porta de entrada para a solução, ficar como está é o que não pode.
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