domingo, 30 de janeiro de 2011

A austeridade nos salvou

Hoje em janeiro de 2010 e mesmo durante todo o 2009, o que se leu, ouviu ou se assistiu nos noticiários em geral, mas sobretudo nos específicos em economia foi um cenário completamente oposto aquele que acompanhamos durante parte de 2007 e 2008. O que vemos hoje é uma economia que embora ainda com alguns problemas – desindustrialização, juros altos, déficit externo e carência em infra-estrutura – é uma economia que cresce e tem até surpreendido positivamente com seu desempenho, em contraste a uma economia amedrontada e obscurecida com a eclosão da crise em 2007.
No entanto se no Brasil, assim como em todo mundo emergente, as manchetes nos noticiários econômicos são diferentes em relação ao passado recente, no mundo desenvolvido por outro lado a recessão, a deflação, o desemprego as altas dívidas dos estados continuam sendo problemas carentes de solução.
Mas o leitor deve se perguntar por quê as economias emergentes sofreram menos o impacto da crise em relação ao mundo desenvolvido?
Alguns economistas simpatizantes do governo tendem a dizer que a condução da política econômica durante o governo Lula tendeu a minimizar o impacto da crise no caso do Brasil, entretanto não comungo desta opinião pelos seguintes motivos:
A política econômica do presidente Lula é conduzida conforme os mesmos princípios que nortearam os 8 anos de Fernando Henrique Cardoso.
O desempenho da economia brasileira não foi muito diferente em relação á vários países emergentes que também saíram-se exitosos em relação a crise não necessáriamente usaram o mesmo receituário econômico nosso.
Portanto creio eu que as razões pelo atual boom dos emergentes são muito mais gerais do que particulares em cada país. Para começar o efeito China que perdeu muito pouco fôlego durante a crise econômica e continuou crescendo, elevando as exportações de vários países produtores de matérias primas entre eles o Brasil.
Além disso vários países que hoje navegam em mar de almirante – pelo menos no que tange aspectos econômicos – passaram durante toda a década de noventa sofrendo com consecutivas crises, com a especulação financeira, com o trauma da inflação e portanto realizando os ajustes em suas economias que ofereceu uma certa sustentabilidade econômica. Medidas como superávtis fiscais elevados, liberalização cambial e privatizações implantados durante a década de 90 serviram como uma primeira defesa ante a crise, em seguida vieram as políticas anticíclicas que também se apresentaram meritosas diante do caos financeiro.
Enquanto isto os países desenvolvidos “nadavam de braçada” nos fluxos de capitais que abandonavam o mundo em desenvolvimento em dificuldades em busca de rentabilidade e segurança, resultado? Expansão dos gastos públicos, mais desregulamentação financeira e as consequências nós já sabemos: Crescimento vertiginoso das dívidas nacionais dos países desenvolvidos, dificuldades no financiamento dessas dívidas, recessão, desemprego, corte de benefícios etc..., em outras palavras, hoje o mundo rico é obrigado a fazer aquilo que faziam os emergentes nos anos 90, ajustar suas economias a um padrão de crescimento que se não é o maior, pelo menos é sustentável ao longo do tempo. Espero que esta lição sirva de exemplo para que o mundo de amanhã seja mais regulamentado cooperativo entre si e sustentável do o de que ontem, afinal a disciplina e a austeridade nos salvou.
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