quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Legado do PSDB

É comum para qualquer partido político quando amarga um jejum de algumas eleições perdidas a cobrança por reformas, por investimento em novos quadros em detrimento dos antigos e o que alguns analistas chamam de descaracterização do legado inicial do partido em relação ás suas ideologias fundacionais. Isto ocorreu com o PT após ter sofrido três derrotas consecutivas e se reinventado para disputar as eleições de 2002.
O PT que disputara e vencera as eleições presidenciais de 2002 é bem diferente do PT que havia disputado todas as eleições anteriores, o partido sofreu uma verdadeira transformação ideológica que pode ser resumida na “carta ao brasileiros” publicada nas eleições daquele ano. O partido dos trabalhadores que defendera durante quase 20 anos a bandeira do socialismo, do calote na dívida externa, da reforma agrária entre várias outras bandeiras tidas como revolucionárias é bem diferente do partido dos trabalhadores que governou o Brasil pagando o FMI, utilizando de uma elevada dose de ortodoxia na condução da política monetária, mantendo e ampliando todo arcabouço político-econômico-institucional do governo Fernando Henrique e principalmente, em nome da governabilidade se aliando a antigos desafetos políticos e com partidos que nada tem em comum com a trajetória de esquerda do PT.
Hoje após sofrer três derrotas consecutivas nas eleições presidênciais alguns analistas do meio político insistem na equivocada tese de descaracterização ideológica do PSDB, o que no meu entendimento não procede, aliás o PSDB tem ao longo de todos estes quase 23 anos de existência mantido a sua coerência com o que sempre defendeu.
Por duas eleições consecutivas a de Alckmin em 2006 e a de Serra em 2002 defendemos bandeiras impopulares – mais importantíssimas para o desenvolvimento do país – como as privatizações realizadas no período FHC, ou seja, podemos ter padecido por alguns pecados, mas não por falta de coerência.
Outro equívoco notório que os analistas cometem no que diz respeito ao PSDB é rotulá-lo como um partido regionalista, talvez pela influência do diretório de São Paulo e mais recentemente de Minas Gerais no partido como um todo. Mas não creio que o partido possa ser considerado regionalista, também governamos Goiás, Alagoas, Tocantins, Roraima, Paraná e Pará, além de disputar segundo truno no Piauí e no Mato Grosso, governavamos o Rio Grande do Sul até o ano passado. Ou seja em 11 estados o partido tem uma estrutura consolidada com lideranças respeitadas se isso é ser regionalista gostaria que estes analistas explicassem o que é um partido nacional?
Talvez o partido tenha pecado no sentido de que só se aproxima de sua militância as vésperas das eleições, não prepara seus simpatizantes, suas bases regionais para um debate qualificado sobre o que o partido defende e mais do que isso, tem pouca infiltração em regiões mais humildes do país como Nordeste. Este diagnóstico precisa ser feito para que estes erros não percistam em ocorrer. Temos os melhores quadros, um verdadeiro projeto de país que se em alguns momentos se confunde com o projeto do PT é por que eles abandonaram as velhas bandeiras e mantiveram as conquistas do governo FHC. Ou seja, faltam detalhes, eleitoralmente falando não podemos insistir nesta disputa equivocada entre diretórios do mesmo partido para indicar o candidato, este deve ter as melhores condições de vencer as eleições.
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