É comum perceber nos dias atuais que há uma certa tendência na maioria dos analistas em afirmar que as reservas petrolíferas do pré-sal são nosso passaporte para o futuro, nestas ou noutras palavras é o que mais se escuta por toda a parte quando a discução é o desenvolvimento do país.
O pré-sal tem sim – e terá ainda mais – sua importância para a economia do país se gerido com inteligência, entretanto nunca é demais lembrar que alguns países com reservas abundantes de petróleo no lugar de desenvolverem suas economias, se tornaram extremamente dependentes do recurso e não diversificaram suas economias, nem tão pouco a extração do combustível fora revertida em ganhos sociais para as populações, para dar um exemplo prático e atual do que estou dizendo a Venezuela – mas não só – se encaixa neste modelo.
Funciona como se o país vendesse o milho no lugar de comer o bolo, se especializa em produzir e exportar uma commoditie, o cambio se valoriza excessivamente e o país perde competitividade em setores que envolvem mais etapas produtivas, como a indústria e acaba se desindustrializando, a este fenômeno chamamos de doença holandesa.
Trazendo esta realidade para o Brasil – que já tem uma tendência natural de produtor e exportador de commodities diversas – já enfrentamos um problema no câmbio sobrevalorizado e começamos a esboçar um processo de desindustrialização onde a presença de manufaturados importados tomam cada vez mais espaço no mercado consumidor brasileiro ao mesmo tempo que temos dificuldades de colocar em pé de igualdade produtos nossos para serem vendidos no mercado mundial.
Neste aspecto talvez seja mais correto afirmar que o investimento e o incentivo ao desenvolvimento do carro elétrico seja muito mais um passaporte ao futuro do que as reservas de petróleo. Afinal o capitalismo não sobrevive sem que haja inovações, incorporação de tecnológias e que possam significar algo palatável para o cidadão comum do mundo.
Vejo o projeto do carro elétrico presente em várias de nossas universidades como um potencial e promissor produto no mercado em um prazo não muito longo, em um planeta onde as pressões ambientais, as demandas por novas matrizes energéticas e os conflitos pelo petróleo fontes alternativas de energia são muito bem vindas e podem no futuro balizarem até uma indústria automobilística nacional – mas isto é mero teste de hipótese.
O fato previsível é que vários países vangardistas no capitalismo mundial – me refiro às economias desenvolvidas – avançarão no desenvolvimento e nas pesquisas para o aprimoramento deste produto que pode significar uma verdadeira revolução não só na indústria automobilística, mas em vários outros segmentos industriais.
O petróleo é uma riqueza importante sem nenhuma dúvida, mas acrescenta em muito pouco no aprimoramento e desenvolvimento de novas tecnologias, novos conhecimentos científicos enfim, o país já é pioneiro na extração de petróleo em águas profundas, neste segmento o Brasil possui inúmeras vantagens comparativas em relação à grande maioria dos países, mesmo os desenvolvidos.
O que precisamos agora é desenvolver nossa pesquisa não apenas para o aprimoramento do carro elétrico, mas para várias atividades que nos dê condições de nos tornarmos competitivos em um mundo que a cada dia nos submete a testes de sobrevivência a um mercado global implacável aos que não se adaptam às mudanças.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
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A importância do carro elétrico
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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