Embora os debates eleitorais tenham acabado já alguns meses, e a presidente vencedora já esteja até em exercício, acredito que o debate que interesse deva começar a partir de agora e não devemos esperar mais quatro anos para que venham a tona os mesmos problemas que requerem soluções imediatas.
Dentro de dois anos teremos em todo o país eleições para escolhermos prefeito e vereador e já poderíamos entrar nesta eleição com algo de diferente já encaminhado, assim como a lei da Ficha Limpa significou um fato novo para as eleições do ano passado, podemos arriscar um novo modelo para 2012.
Sou contra o financiamento público de campanha, dinheiro público deve ser usado exclusivamente para sanar as carências sociais e que – embora venham diminuindo – ainda são grandes em nosso país, além do mais o financiamento público de partidos e candidatos não elimina o paralelo podendo se tornar inclusive um incentivo ao caixa dois.
Entretanto se o financiamento público de campanha não resolve, ou não moraliza o problema, quais medidas podem ser tomadas com foco nas eleições do ano que vem?
Proponho um modelo que em primeiro lugar barateie as campanhas de um modo geral, de nada adianta mudar a fonte do financiamento se as campanhas continuam sendo milionárias, portanto já pras eleições de 2012 mudaría-se o sistema eleitoral para o cargo legislativo em cidades onde podem haver segundo turno.
Hoje um candidato a vereador disputa a eleição por toda Uberlândia, acaba gastando muito, em material impresso, combustível e cabos eleitorais e ao mesmo tempo distante do seus eleitores, em outras palavras, como o candidato é obrigado a percorrer toda cidade o faz de maneira rápida e sucinta nos muitos locais pelo qual passa, não criando assim identidade com o seu eleitor e o eleitor ao mesmo tempo não tem condições de cobrar e fiscalizar o trabalho do candidato eleito.
Mediante a isto proponho o sistema distrital puro para as eleições municipais do ano que vem, explicando melhor, ano que vem nosso legislativo terá 27 ou 29 vagas – vamos trabalhar com a idéia de 27, neste caso dividimos a cidade em 27 distritos e cada partido – ou coligação – indica um candidato respectivo para aquele distrito, sendo 27 candidatos por cada partido em toda a cidade, entretanto cada um concorrendo contra candidatos de outros partidos pelos votos daquele distrito específico.
Isto permite na cidade um menor distanciamento entre eleitor e eleito, qualifica o debate sobre os temas referentes a cada área, os candidatos de todos os partidos disputarão contra candidatos de outros partidos – e não concorrerá contra seu próprio colega de partido como hoje é feito – e por fim isso diminui muito o custo de campanha para vereador, pois a partir do instante que um candidato faz campanha apenas em uma determinada zona, não há razão para se gastar tanto, por exemplo se para fazer campanha por toda a cidade um candidato plota quinhentos carros, em um único distrito precisaria plotar cinqüenta, ou seja, se gastaria em torno de 10% do que se gasta atualmente e o financiamento de campanha deixaria de ser um entrave para os candidatos a cargos legislativos.
Acredito que este seja um segundo passo – depois da aprovação da lei da Ficha Limpa – para que avancemos ainda mais na moralização da política e sonho em ver já no ano que vem mudanças como estas vigorando na eleição que virá.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
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Reforma política
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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