O mundo assiste estarrecido os conflitos instalados na Líbia pela derrubada do ditador Muhamar Kaddafi que tem usado da violência, da repressão, da força bruta e desproporcional para se manter no poder que já exerce desde 1969 quando chefiou a então revolução contra o regime monarquico do país.
Episódios semelhantes não na forma, mas no conteúdo tem desencadeado uma intensa onda por “democratização” no mundo islâmico que começou com a Tunísia, passando por Egito e agora Líbia e Barén, o que por um lado significa algo muito positivo, de certo modo a já abandonada agenda da democracia e dos direitos humanos começa a ressurgir na cena global sobre figuras notadamente hostis aos preceitos e aos valores democráticos. Evidentemente que há também o lado negativo, que corresponde as vidas seifadas neste processo de nítida revolução nestes países, mas principalmente na Líbia onde Kaddafi não tem respeitado os limites da repressão e apelado para a radicalização contra os opositores.
Acontecimentos como estes que tem marcado este início de século nos remete a algumas reflexões que opõe em alguns casos a economia ou o seu desempenho versus o verdadeiro bem estar social que é na verdade o valor que deveria prevalecer aos demais, haja visto que não adianta uma nação crescer econômicamete com concentração de renda, indicadores de desenvolvimento humano ruins, miséria etc..., cenários assim costumam a culminar no que acompanhamos hoje pelos jornais nestes países citados, que em geral são importantes produtores de petróleo, que no entanto não revertem isso em melhoria de vida para a população que com o passar dos anos e com a precariedade da vida tendem a se revoltar contra estes regimes que em geral são corruptos e ineficientes.
Dentro deste contexto nada teórico que coloca para caminharem lado a lado, repressão, miséria humana, insatisfação e corrupção podemos nos perguntar. Vários destes regimes autoritários não seriam uma bomba relógio que em questão de tempo estourariam?
A princípio creio que seja o que está ocorrendo no momento, mas não podemos esquecer que estes regimes por vários ano receberam apoio de importantes democracias ocidentais a ponto de o próprio presidente Lula chamar o ditador Kaddafi de “meu irmão, meu líder” em visita ao país em 2005, aliás procedimento de praxe do então presidente que fez gestos parecidos para Chávez, Fidel, Almadnejad entre outros, e foi cassar picuinha com a Itália que é um país democrático.
Enfim, o que afirmo com veemencia é que a democracia e os direitos humanos só serão recebidos como fundamentos universais, se as nações democráticas assumirem tal condição, no Brasil durante anos pessoas (incluindo Lula) lutaram para derrotar os generais. E tudo isso para que? Para agora nos aliarmos a generais pelo mundo fazendo de conta que pessoas não morrem, que a democracia é boa só para alguns e que vale a pena o cerceamento de direitos humanos por alguns anos de progresso econômico que em geral beneficiam a poucos em detrimento de muitos? Democracia implica em liberdade, Social Democracia implica em liberdade plena de direitos políticos, econômicos, sociais e de forma estendida a toda a população, se um destes preceitos for quebrado, não há Social Democracia que normalmente vem acompanhada do respeito aos Direitos Humanos que muito mais do que um emaranhado de regras tem que ser um fundamento social.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
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Direitos Humanos e Social Democracia
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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