quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A hora da verdade

Os que acompanhavam meus artigos desde o ano passado, perceberam que desde antes tinha uma preocupação frequente quanto a condução da política macroeconômica não de forma geral, mas sim de forma específica. Em outras palavras o tripé que sustenta nossa economia é por mais que tenha falhas – por exemplo a demasiada valorização cambial – a melhor opção que encontramos para o funcionamento da economia do país. Entretanto não era ao tripé que me referia quando manifestava minha preocupação.
Quem leu o artigo publicado no dia 24 de novembro do ano passado chamado “Feliz economia nova” percebeu que ali eu manifestava a minha preocupação quanto ao rítimo acelerado do nosso crescimento baseado predominantemente na expansão do consumo em lugar de investimentos que ampliassem a capacidade da oferta em nossa economia a médio e longo prazo. Lá eu dizia em outras palavras que o modelo pelo qual nossa economia crescia impulsionada pelo consumo e com grande responsabilidade dos gastos públicos não podia se sustentar.
Resultado: os desperdícios dos ultimos dois anos da era Lula estão agora fazendo falta, por um lado o governo voltou a habitar o planeta terra e percebeu que o rítimo pelo qual cresciam as despesas públicas era irreal e de certa forma prejudicial a economia como um todo; por que uma vez que as despesas do governo cresciam e sobravam mais dinheiro para que as pessoas consumissem, devido a sobrevalorização cambial os produtos importados entravam de maneira muito contundente em nosso mercado; e devido a grande concorrência externa as empresas nacionais não conseguiam investir e ampliar sua capacidade produtiva. Em outras palavras o incremento no consumo recebido pelas familias brasileiras destinava-se a comprar uma enxorrada de produtos importados de várias partes do mundo, enquanto o Brasil elevava suas exportações de produtos básicos o que pressionava o preço destes em nosso mercado doméstico.
Esta combinação nos trouxe á hora da verdade, a irresponsabilidade de Lula, Dilma e Mantega fez surtar a inflação principalmente em produtos básicos prejudicando as familias de baixa renda, enquanto isso a combinação de juros altos, cambio sobrevalorizado, muitos impostos, logística precária dissipa a capacidade de nossas empresas investirem, perpetuando um ciclo, o investimento não se eleva devido a combinação mencionada, e esta combinação não é desfeita devido a necessidade de o governo manter a estabilidade.
Agora o governo anuncia um corte de 50 bilhões, uma tentativa válida mas carente de estratégia para conter o excesso de demanda que ele mesmo produziu durante estes dois anos, corta gastos em praticamente todas as áreas, mas de maneira esquizofrenica, no lugar de cortar verbas de ministérios ecenssiais como o da educação, saúde entre outros, deveria cortar essencialmente os desperdícios, secar o numero de ministérios para algo em torno de 20 sugiro eu, excluir da pauta de gastos alguns “elefantes brancos” como o trem bala, como os caças que o governo quer importar da França sem a menor razão de ser, e poupar áreas como a previdência e inclusive o salário mínimo que diz respeito ás pessoas que mais estão sofrendo os efeitos da inflação.
Mas pelo menos o primeiro passo já foi dado, o governo voltou a frequentar o mundo real, o corte de gastos é nescessário, mas deveria ser mais eficiente e racional, para reduzir seu impacto social.
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