Há uma famosa frase cujo altor não me recordo o nome que classifica o jornalismo como “a arte de separar o joio do trigo e publicar o joio”, me parecendo uma referência de profunda lucidez a uma vocação profissional de tão grandiosa importância para qualquer país democrático. Mais do que isso, o jornalismo costuma a aumentar a intensidade dos fatos, criando crises onde não as existem.
É mais ou menos o que tem acontecido agora no processo de sucessão na presidência do PSDB, aliás como já acontece a muito tempo, o mídia de maneira exagerada insiste em construir uma ruptura entre alas do partido.
É evidente que uma legenda do tamanho, estrutura e história como o PSDB atrai vários olhares para si, e qualquer um deseja controlar um partido com tantas personalidades de importância no quadro político contemporâneo. E principalmente agora a disputa se acirra com três consecutivas derrotas em eleições presidenciais.
O quadro desenhado nos jornais diz respeito a um possível racha entre a ala serrista do PSDB e que portanto apoia a indicação do presidenciável José Serra para a função, enquanto do outro lado a ala aecista do partido trabalha para a recondução do deputado Sergio Guerra atual presidente do partido. Portanto, mesmo que não seja um genoíno racha na legenda, há uma disputa.
Serra é um grande líder, sua história, sua biografia, seus 44 milhões de votos mesmo sem a ajuda de alas importantes do partido durante a eleição passada, o credencia a ser o próximo presidente da legenda. Guerra tem ao seu favor um bom trabalho realizado até aqui à frente do PSDB.
Independente de presidente ou não do partido, Serra tem que assumir neste instante o papel de porta voz da oposição, seu tom a partir de agora deve ser o tom dos partidos de oposição. Serra é hoje a maior liderança em atividade da oposição e tem um fator favorável ao seu favor, ele não tem mandato, portanto pode se dedicar exclusivamente a fazer pelo país oposição ao governo do PT.
Quanto a disputa dentro do PSDB, se há realmente o racha que os jornais insistem tanto em divulgar, proponho uma solução alternativa, nem Serra, nem Sergio Guerra, um outro nome, neutro, capaz de representar as duas alas que estão se chocando, um nome que não seja paulista, nem mineiro, nem ligado a Serra, nem ligado a Aécio, de preferência sem mandato também, para que não tenha que dividir as tarefas partidárias com uma intensa agenda legislativa que a oposição – por ser mais qualificada que a base governista – terá de apresentar ao Brasil nos próximos anos.
Para tanto proponho de já dois nomes que poderiam perfeitamente desempenhar este papel, podemos confiar que o ex-senador e ex-governador cearense Tasso Jereissati estaria a altura de desempenhar este papel, por toda a sua postura, liderança e pulso firme para agregar a oposição. Além também do ex-senador Arthur Virgílio do Amazonas, liderança comprovadamente competente e que foi a grande “pedra no sapato” durante os ultimos 8 anos a um governo incompetente e corrupto. Em muitas vezes quando a oposição parecia ser muito mais governo do que o próprio governo, foi a sua sensatez e coragem que nos posicionava na cena política, seja derrubando a CPMF, seja na abertura de CPIs, enfim, creio que são bons nomes para mais do que conduzir, unificar o partido para as difíceis batalhas vindouras.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
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Presidencia do PSDB
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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