Publicado no Jornal Correio de Uberlândia em 31/03/2011
Uma nova década está começando e ainda não podemos ter clareza a respeito do caminho que será trilhado pelo mundo nos próximos anos, não conseguimos ter nitidamente a noção de como se comportará a humanidade diante das inúmeras questões envolvendo economia, sociedade, democracia como valor universal a ser respeitado junto aos diretos humanos, enfim, uma série de questões surgem sem respostas, e mais do que isso qual será o papel do Brasil nesta nova estrutura para qual o mundo caminha.
Ainda não podemos delinear um caminho seguro sobre as perspectivas econômicas não só do Brasil, mas dos emergentes de forma geral; enquanto os países desenvolvidos continuarem mergulhados em problemas como recessão, deflação, crises de dívidas soberanas, desemprego etc...
Os Estados Unidos, maior economia do mundo emite alguns poucos sinais de recuperação, o que leva a crer que pode demorar para deixar a UTI na qual se encontra desde meados de 2007 para ir pelo menos à enfermaria terminar sua recuperação. União Européia e demais desenvolvidos se encontram na mesma situação, e os emergentes não se pode afirmar que manterão seu crescimento econômico com tantos problemas no mundo desenvolvido. Mesmo a China considerada a “bola da vez” não pode se afirmar que sustentará seus 10 ou 11% de crescimento econômico com impacto direto no crescimento do Brasil.
E o Brasil, como está e se está se preparando para enfrentar os desafios que estão por vir?
O Brasil tem mostrado nos últimos trinta anos uma trajetória de crescimento econômico muito semelhante a trajetória do crescimento econômico mundial, em outras palavras, cresce quando o mundo cresce e estaciona quando o mundo está estagnado, durante a crise de 2008, o Brasil assim como o mundo todo sentiu o impacto dos papéis podres do sistema financeiro dos EUA, mas teve uma guinada mas rápida de sua economia principalmente devido ao efeito China que continuou crescendo e portanto demandando as matérias primas que o país tem a oferecer. Este efeito produziu no Brasil um efeito positivo de curto prazo, que foi a retomada do crescimento econômico, entretanto já se começa a perceber os problemas advindos com o efeito China:
Rápida primarização de nossa economia, o Brasil tem se especializado no agronegócio e já não consegue exportar manufaturados e industrializados.
Súbito avanço dos produtos importados em nossa economia, hoje a cada 5 produtos industrializados consumidos internamente no Brasil 1 é importado, em 2002 a proporção era 10 para 1.
Surto inflacionário proporcionado (não só) pela guinada dos preços das commodities no mercado internacional com reflexo nos preços domésticos.
Sobrevalorização cambial que impede que o Brasil tenha uma economia competitiva principalmente no quesito exportação de industrializados.
Perspectiva de défict comercial já para o ano que vem o que não ocorria desde 2001, além do vertiginoso aumento do défict externo que o país tem apresentado ultimamente.
Tudo isto sem contar os inúmeros problemas de caráter meramente interno tais como, má gestão da política fiscal, elevada carga tributária juntamente com elevada taxa de juros, pequena taxa de investimento interno na casa dos 17% do PIB, informalidade e rotatividade no trabalho. Portanto creio que um bom caminho é retomar a pauta de reformas já a muito abandonadas, resolvendo os problemas presentes e preparando o país para o futuro.




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