Esta semana o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a variação do PIB referente ao ano de 2010 com um resultado que a primeira vista, ou se analisado superficialmente pode até criar no país uma falsa expectativa de que nossa economia não vive problemas. Entretanto devemos observar com mais cuidado os 7,5% de crescimento da economia brasileira no ano passado.
Em primeiro lugar deve-se levar em conta que a economia cresceu 7,5% sobre um crescimento negativo de 0,2% em 2009, o que já torna frágil a base de qualquer comparação nitidamente diferente se o crescimento tivesse se dado sobre a média de 3 ou 3,5% que o país cresceu em média durante todo este período, portanto este crescimento econômico foi decisivamente beneficiado pelo fraco desempenho do ano anterior.
A outra má notícia para os eufóricos é que o crescimento robusto não veio para ficar, há sinais muito claros de que a economia está desacelerando e que o Brasil segundo estimativas do próprio mercado não deverá ter um crescimento muito distante da casa dos 4,5% neste ano, não permitindo assim que os números divulgados pelo IBGE sejam motivos de comemoração, muito pelo contrário, alguns sinais já começam a revelar a insustentabilidade das políticas implantadas sobretudo no segundo mandato de Lula. A somatória de política fiscal esquizofrênica onde o governo gasta muito, mas sobretudo emprega mal os seus recursos juntamente com um défict externo que não para de crescer, gargalos estruturais em infra-estrutura que elevam o chamado custo Brasil, câmbio sobrevalorizado inibindo a produção externa mais arrocho monetário com impacto no resultado primário, orientaram a condução da política econômica nos ultimos anos que até surtiu algum efeito no curto prazo, mas agora começa a se revelar como insustentável; o que é facilmente constatado no aumento do preço dos alimentos e recursos naturais evidentemente que com uma certa ajuda do mercado internacional aquecido, o processo de desindustrialização vivido pelo país que não cosegue competir em alguns setores de transformação com a indústria extrangeira etc..., o fato é que embora os indicadores camuflem, a economia não vive seu melhor momento e tão pouco podemos comemorar tais resultados.
Este ano, o crescimento econômico será menor do que o apresentado em 2010, e tudo indica que será menor inclusive do que o estimado até então, o Banco Central pela segunda vez consecutiva elevou a taxa de juros como tentativa de controlar a inflação, o que traz efeito prejudicial ao câmbio que tenderá a se valorizar ainda mais e prejudicar as exportações, a fazenda anunciou um corte de gastos de R$50 bilhões, o mercado desconfia sobre a verdadeira intenção do governo de retomar sua austeridade perdida em medidas de trapaça contábil realizada com o caixa das estatais, agora o ministro Mântega sugere reajustar alguns impostos como compensasão à superestimação da receita do governo que previa um crescimento de 5,5% e que não deve se concretizar ficando em torno de 4,5%, castigando ainda mais um país que tem seguramente uma das cargas tributárias mais altas do mundo e com uma eficiência baixíssima do gasto público que desperdiça dinheiro, investe pouco e infla o estado numa burocracia crônica que é nítida aos olhos de qualquer um, talvez uma condução mais harmônica da política econômica seja o início da solução destes problemas.
sexta-feira, 4 de março de 2011
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Crescimento do PIB
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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