Outro dia conversava com um respeitado economista de nossa cidade que insistia na tese de que a oposição e de maneira mais focada “o PSDB sofria uma crise de identidade, que o partido não fora capaz de ser coerente com sua própria história e se desviou para um impasse que hoje implica na crise que envolve toda a oposição que amarga uma caristia de três derrotas consecutivas na eleição para presidente”. Alegar tal afirmação respondi eu, significava simplesmente reproduzir o discurso que os grandes veículos de comunicação imprimem a sociedade, sem se atentar a verdadeira legitimidade dos fatos.
Se analisarmos a abordagem histórica dos acontecimentos que permearam a trajetória dos dois principais partidos do país, PSDB e PT, notamos que há muito mais incoerência no processo de consolidação do segundo em relação ao primeiro. O PT foi um partido criado após o fim do bi-partidarismo no Brasil, surgiu a principio no ABC paulista com um discurso socialista e de ruptura com o modelo vigente, foi desde então oposição a todos os governos de Figueredo a FHC, o PT sempre se opôs a tudo que estava em curso no Brasil. Hoje à oito anos no governo este mesmo partido surfa nas conquistas provenientes dos governos no qual fez oposição, no lugar da ruptura a retórica petista deu lugar ao chamado continuismo.
Mas qual seria este continuismo se não dar sequência às conquistas acumuladas até aqui de maneira mais enfática as dos oito anos de governo tucano? Embora defende de maneira pouco honesta a tese de que o país fora inaugurado em 2003, nunca é muito lembrar que conquistas como a estabilidade monetária, o saneamento do sistema financeiro nacional público e privado, as 100% das crianças nas escolas de ensino fundamental, sem contar os programas como o hoje apelidado bolsa familia, o Pronaf, o Fies, o Luz no Campo, os genéricos fazem parte do que o PT denomina “herança maldita” recebida do seu antecessor, mas que na verdade nada mais é do que o proferido continuísmo que tomou o lugar da ruptura na retórica petista.
No entanto e os pontos de não continuidade entre os governos passados e o governo petista como avaliá-los? Num primeiro momento, vejo com tristeza um partido que quando era oposição votou pela cassação do presidente Collor, infernizou a vida dos presidentes Itamar e FHC no passado e hoje ser o maior conivente com a corrupção no Brasil, incentivar o fisiologismo, negar a existência do mensalão, e receber com festa Delubio Soares, se iniciativas como estas são coerentes com a história de existência do PT, então este histórico deveria ser apagado da vida política brasileira. Um partido que passou vinte anos de sua história denunciando as alianças adversárias e hoje no poder se alinha com o que há de mais atrasado no cenário político em nome de uma governabilidade que oito anos passados de governo não produziu no país uma reforma estrutural para que o país cresça e se desenvolva de maneira sustentável no longo prazo, e me vem este economista acusar o PSDB de ser incoerente com o que sempre propôs?
O PSDB vive na verdade uma dificuldade em vencer eleições talvez muito mais relacionada às suas disputas internas decorrentes do fato de o partido possuir grandes quadros de projeção nacional em vários estados brasileiros e não um processo de degradação programática como sujerem algumas vozes, este discurso só interessa ao PT e a seus amigos.
sábado, 14 de maio de 2011
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O verdadeiro legado
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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