Infelizmente nosso pequeno grau de amadurecimento político permite com que certas aberrações aconteçam na nossa democracia, como por exemplo, o nítido tratamento dos adversários como inimigos, o acirramento dos ânimos, devido a rivalidades importantes para a democracia mas interessantes apenas quando restritas ao “mundo das idéias”.
Não quero aqui implicar com nosso ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, mas posso afirmar com propriedade embasada historicamente que, se não foi ele o inaugurador, foi com certeza ele Lula que em muitos momentos alimentou disputas meramente ideológicas como sendo algo pessoal.
Primeiramente quero me ater a sua trajetória de mais de quinze anos como líder da oposição a todos os governos, a radicalidade de suas atitudes e palavras o fizeram passar por inúmeros equívocos que avalio incômodos ao seu passado como negar apoio á constituição brasileira e ao plano Real. Tudo isto sem contar as inúmeras vezes em que através de seu partido o PT pediu impeachment contra o então presidente Fernando Henrique Cardoso.
No governo Lula não reorientou sua conduta política, cada vez mais adotava posturas agressivas e incompatíveis com o cargo que ocupava, blasfêmias do tipo “o mensalão foi tentativa de golpe da oposição”, “devemos extirpar o DEM da política”, como se o Democratas fosse pior do que os partidos fisiológicos que davam e ainda dão apoio ao governo.
Tudo isto sem contar a tamanha deselegância que o ex-presidente cometia com seus antecessores - inclusive com os dois que o deram pleno apoio no Senado da república os presidentes Collor e Sarney - a cada vez que proferia um “nunca antes na história deste país”.
Para derrotar alguns adversários que considerava como desafetos, Lula não poupou a máquina pública, fez viagens pelo país, usou seu tempo nos noticiários para agredir os líderes da oposição com palavras e calúnias eliminando do congresso pessoas do mais alto respeito e liderança como Tasso Jereissati, Marco Maciel, Arthur Virgilio e Mão Santa.
Mas a gota d’água para entornar o balde do acirramento de nervos e da divisão do país aconteceu no lamentável episódio da “bolinha de papel”, quando na ocasião militantes do PT tumultuaram um passeata pró-Serra no Rio de Janeiro, transformando-se em pancadaria inclusive com agressão ao candidato tucano, na ocasião Lula foi a rede nacional chamar de farsa um episódio triste e lamentável que se repetia na recente democracia brasileira envolvendo gente de seu partido. Naquela ocasião simpatizantes do PSDB, de Serra e até muitas pessoas sem orientação partidária definida radicalizaram contra o presidente, eu próprio confesso que por muitas vezes estive no limiar entre a qualificação do embate de idéias e o aborrecimento contra o presidente.
Felizmente os oito anos de Lula acabaram, seu governo é passado, embora sua postura continue aquém do que se deseja de alguém que ocupou o lugar que ocupou. Mas sua sucessora, a presidente Dilma tem se mostrado com um perfil mais apropriado para o cargo, no lugar dos holofotes a discrição, no lugar das bravatas a técnica, e para dar exemplo para nação de que adversários não são inimigos e que as disputas ideológicas não são guerras pessoais, Dilma enviou um cordial carta ao ex-presidente FHC parabenizando pelos seus 80 anos completados e reconhecendo as conquistas de seu governo, a disputa entre governo e oposição cedeu lugar ao respeito entre adversários mostrando que há espaço para gestos elegantes na política brasileira.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
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Adversários talvez, inimigos nunca
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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