Durante a crise de 2008 vários debates foram travados no meio acadêmico sobre a racionalidade dos mercados, inclusive com a ressurreição de teorias como a de Karl Marx considerada por muitos economistas como no mínimo “fora de moda”. Entretanto neste artigo pretendo discorrer sobre a racionalidade de outro ente não menos importante para uma economia que é o governo. A discussão não adentra sobre o prisma do estado mínimo ou máximo, mas sim sobre o estado ótimo, ou racional.
Estamos vivendo infelizmente no Brasil uma pseudo-prosperidade de curto prazo que tem apacentado o senso crítico da população e adormecido as vozes críticas do país, entretanto podemos atentar para alguns fatos importantes que tem ocorrido aos nossos olhos embora estejam passando despercebidos.
Temos presenciado em nossa economia uma crescente tendência a fusões, aquisições e incorporações de grandes empresas, formando empresas agigantadas e com notável poder de barganha, Ricardo eletro – Insinuante, Pão de Açucar – Casas Bahia, Bretas sendo negociado com uma empresa chilena, Sadia – Perdigão, agora mais recentemente Pão de Açucar – Carrefour, e Gol – Webjet, serão estes exemplos de fusões mera coincidência ou será uma estratégia das grandes empresas nacionais formarem conglomerados grandes demais para falirem e assim garantirem sua sobrevivência em um país onde a atividade produtiva é solapada por um governo insensato, que se recusa a arcar com o ônus político das reformas estruturantes que interessa a quem produz?
O que esperar de um país cujo a sua maior empresa é estatal e vítima de uma grande interferência política que induz sua finalidade principal não para garantir eficiência, mas sim gerar dividendos eleitorais para o grupo que ocupa o poder no Brasil.
Mas se as grandes empresas tem dificuldade em competir ou sobreviver ante a concorrência externa, o que sobra para o nosso pequeno varejo, responsável por mais de 50% do PIB brasileiro? Bem quando analisamos este segmento em especial podemos perceber uma situação ainda mais dramática. Um dado do SEBRAE indica que 7 a cada 10 empresas encerram suas atividades antes do primeiro aniversário, mas o que falar das que sobrevivem? Em geral sobrevivem graças a uma cultura nitidamente patrimonialista de seus proprietários que podem ter recebido heranças ou aproveitado os anos das “vacas gordas” para adquirirem pequenas vantagens em relação aos seus concorrentes do presente.
Mas o que fazer para reverter ou pelo menos atenuar este processo? Podemos sugerir sem medo de errar um pacote de reformas microeconômicas que no geral garanta equilíbrio nas relações entre contratantes e contratados, segurança jurídica na aplicação dos contratos, flexibilidade nas relações trabalistas, creio que a abolição do ICMS com compensação automática de receitas aos governos estaduais pode ser discutido, etc... o que não podemos é cruzar os braços e assistir nossa cadeia produtiva ruir no silêncio de um conforto momentâneo que tem data e hora pra acabar.
Que os mercados por si só não conseguem otimizar os ganhos sociais de uma economia não me resta dúvidas, entretanto nosso governo está longe de cumprir seu papel e fornecer a tão discutida racionalidade á economia, realizar uma reforma trabalhista, jurídica e tributária séria pode dar fôlego aos empresários, mas existe um custo político não creio que nosso governo queira enfrentá-lo.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
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O drama das empresas
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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