quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dilema econômico

Existem hoje alguns conflitos em termos de política econômica implantadas pelo governo Dilma Rousseff, o dilema consiste em se estabelecer um rumo para a economia do país que até agora nos 9 anos de governo do PT não estão bem claros. Hora o governo acena para um controle mais rígido do processo inflacionário, hora acena para a priorização do crescimento econômico e do emprego.
Isto sempre existiu no governo do PT e se tornou mais visível quando Palocci deu lugar a Mântega no ministério da fazenda e também agora quando Meirelles cedeu seu cargo para Tombini no banco central.
O problema maior é que agora além dos rumos não estarem claros, os resultados colocam ainda mais a necessidade de que algo seja feito ou numa direção ou noutra. No controle inflacionário o governo falha, e o que é pior penaliza os pobres, pois os reajustes de preços são mais robustos em produtos de primeira necessidade tais como alimentos e transportes. Por outro lado como o governo pode assumir em público que está privilegiando o crescimento econômico se na prática a previsão do banco central para crescimento para 2011 é de pífios 3,5% ?
Em 2009 nossa economia estagnou e cresceu 0%, em 2010 o ano do “segundo milagre” como a base anterior era pequena o Brasil cresceu suntuosos 7% e este ano a previsão do PIB são para 3,5%, estes dados nos fornecem uma média de crescimento econômico anual na casa de 3,5% o que nos deixa bem atrás de Índia e China que crescem em média e já a vários anos num patamar de 8 ou 10%. Estes dados derrubam por terra o argumento do governo de que o crescimento é prioridade neste governo.
A queda na taxa de juros foi um bom sinal dado pelo governo, seria melhor ainda se viesse acompanhado de outro sinal que garantiria a credibilidade deste governo em crescer com estabilidade, me refiro neste caso a uma melhora no exercício das contas publicas significativa, o governo sinalizando para o mercado que a política econômica está sendo estruturada em bases sérias.
Na prática, no entanto, o que se vê é o esforço contrário, a política monetária está se afrouxando, até aí tudo bem, mas a política fiscal continua mal executada, um governo que arrecada muito, arrecada mal, gasta muito e gasta mal, não pode ser sustentável um processo destes, mais cedo ou mais tarde as conseqüências vão aparecer, como estão aparecendo agora as conseqüências da farra eleitoreira envolvendo os gastos públicos em 2010. Inflação em alta, crescimento medíocre, desindustrialização da economia, entre outros, tudo isto era dito no começo do ano passado, quando vários analistas já consideravam irresponsável a condução da política econômica.
E agora pra onde estamos caminhando? Se medidas não forem tomadas no sentido de dar transparência e eficiência á política fiscal, e no sentido de reduzir o custo Brasil (impostos, encargos trabalhistas, transportes etc...) podemos estar caminhando á passos largos para uma situação grave de perca da capacidade industrial brasileira podendo haver reflexo inclusive no nível de emprego e de renda dos nossos trabalhadores.
O primeiro passo foi tomado, os juros estão em queda, resta ao governo completar sua missão e sinalizar com medidas fiscais de que está disposto a garantir a estabilidade econômica com crescimento sustentado, sem isto não adianta o BC fazer sua parte, caímos num cabo de guerra, cada um puxa pra um lado e não chegamos a lugar nenhum.
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Um comentário:

  1. Caro Benito,

    Não se pode pensar em crescimento com uma política monetária restritiva como a que o Brasil vem adotando já a muito tempo, pois a taxa de juros está sempre aí tentando bater recordes no guinness book pra se manter a maior do mundo...

    Existem vários motores dinâmicos endógenos de crescimento na economia brasileira (e a inflação é um sinal disso). Se mesmo com a taxa de juros alta a inflação vai dando seus sinais, está claro que esse regime apresenta falhas...restringe o crescimento e não controla a inflação...

    Talvez de fato o ajuste se dê pelo âmbito fiscal. A reforma tributária se faz imperativa, não só cumprindo uma função estabilizadora mas também, e eu diria, sobretudo, distributiva, tornando os impostos mais progressivos.

    Aliás, outro grande problema do Brasil em relação a isso são suas elites, os lobbys, os privilégios...isso também emperra o crescimento baseado em interesses de uma minoria (minoria que não é discriminada, diga-se de passagem)!

    Abraço!
    Wagner

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