A eleição de 2012 terá em todo o país um elemento novo que chamará a atenção do público e poderá causar surpresas a todos nós que dedicamos parcela expressiva do nosso tempo a pensar a política. Trata-se do partido político novo criado por Gilberto Kassab que surpreendentemente nasceu grande demais e com pretensões demasiadamente ambiciosas.
É perceptível que o PSD nasceu exageradamente grande e que ocupará um papel relevante no jogo eleitoral que está em curso em todo o país já a algum tempo, entretanto observando com um pouco de profundidade quais seriam os verdadeiros limites do avanço político deste partido sobre os espaços que já estão demarcados pelas forças partidárias que já ocupam um papel relevante em nosso país?
Para responder esta pergunta gostaria de lembrar que em nosso país não existe uma identidade verdadeira entre segmentação ideológica e prática partidária, prova empírica disto é o próprio PT que a poucos anos antes de se tornar governo fazia um discurso socialista e quando alcança o poder caminha no limiar tênue entre o neoclassissismo econômico e um estado de bem estar social. Desta confusão ideológico-partidária vem a estratégica porém perigosa colocação do prefeito Kassab de que seu partido não teria orientação nem de esquerda, nem de direita.
Da afirmação do prefeito Kassab incorre-se no primeiro risco para sobrevivência de seu recém nascido partido no longo prazo, se ele não se orienta ideologicamente não encontrará seguramente uma identidade eleitoral e naturalmente um nicho social no qual possa representar. Sem isto o PSD não compete com PSDB e PT como alternativa de poder ao país e estará fadado a se tornar um partido satélite como todos os outros.
Além disto o PSD a nível nacional se tornou um enorme depósito de setores fisiológicos de vários partidos que viram na legenda uma oportunidade para saírem de suas antigas agremiações partidárias sem incorrer no risco da perda de mandato. Conceitualmente como ficarão políticos que ainda em 2010 foram eleitos com discurso oposicionista e hoje aspiram ser parte do governo que tentaram derrotar no passado recente?
Sabendo que o partido não possui orientação ideológica mínima, somado ao fator de seu agigantamento se dar ás custas da vinda de setores fisiológicos que muito pouco contribuem para o debate político qualificado, não vejo no longo prazo o PSD assumindo locomotiva do processo político-partidário brasileiro. Entretanto pelo seu inesperado tamanho no curto prazo o partido irá sim preencher vários espaços e ter um peso eleitoral relevante nas eleições do ano que vem, que eu insisto não se sustenta ao longo do tempo.
São Paulo por ser a vitrine mais cobiçada do país será a grande demonstração deste confronto, onde tradicionalmente PSDB e PT disputam espaço, agora surge como postulante a protagonista no processo o PSD, mas será que o partido goza deste cacife todo?
Creio que não, e daí não poderia me furtar de criticar os 4 pré-candidatos tucanos a prefeitura paulistana que em entrevista a um jornal de grande circulação nacional omitiram a presença de Serra como figura fundamental na condução do processo que é. Estariam os tucanos subestimando a importância de Serra na cidade e superestimando a importância de Kassab? Estariam ainda nossos honoráveis companheiro de partido se esquecendo que sem Serra o prefeito Kassab seria mais 1? Ou será que políticos experientes e competentes como José Aníbal, Ricardo Tripolli e Andrea Matarazzo avaliam que eleitoralmente é mais viável uma aliança com o PSD do que uma presença maciça de Serra na campanha?
Kassab está jogando, analisa uma aliança com o PSDB condicionada ao PSD assumir a cabeça de chapa, mas não tem tantos recursos assim, me agradou a explanação do presidente do PSDB paulistano deputado Ricardo Tripolli quando diz: “O PSDB não pode ser vice de um partido que nasceu a pouco tempo”.
Espero que nossos pré-candidatos dispostos todos a enfrentar o processo de prévias para a disputa pela prefeitura da capital, tenham esquecido o nome de Serra por mero lapso, pois se foi propositado este esquecimento a campanha começa mal. Vale lembrar que em São Paulo nem Lula vence o PSDB, e que na eleição do ano passado a nível estadual Serra foi o grande vencedor, elegendo Geraldo para sucedê-lo e Aloysio o senador mais votado da história.
Portanto se ele tiver um papel relevante na campanha do PSDB paulistano, acredito de maneira veemente que o PSDB vencerá as eleições em São Paulo e o PSD começará seu processo de deslocamento para ser mais um satélite.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
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A importância do PSD
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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