quinta-feira, 10 de maio de 2012

A crise global e as implicações para o Brasil

A situação econômica global tem vivido um dos seus piores períodos de depressão desde o surgimento do capitalismo, isto se deveu principalmente á explícita liberdade que o mercado financeiro gozou nos períodos precedentes a 2008 em um primeiro momento, e á expansão das dívidas nacionais devido ao salvamento destes mesmos bancos que surfaram na desregulamentação financeira praticada, no momento atual. Na Europa, onde a crise se faz sentir com mais rigor, as incoerências de uma política monetária comum sem uma simultânea unidade de política fiscal faz estourar gradualmente cada governo da União Européia trazendo implicações políticas, sociais e diplomáticas no continente. Estas pressões dividem os países não quanto ao diagnóstico da crise, mas sim quanto ao tratamento que se deve destinar as endividadas nações européias. Os mais conservadores defendem o pacote de austeridade ás custas do sofrimento populacional ainda que temporário proposto pelo FMI, Banco Central Europeu e bancado pela única economia verdadeiramente sadia e produtiva da Europa, a Alemanha. Do outro lado a esquerda propõe em geral uma maior flexibilização fiscal no curto prazo para que as cambalidas economias européias retomem o crescimento e resolvam seu problema com o endividamento num segundo momento. Há uma grande questão de fundo neste panorama, ao privilegiar a austeridade, os governos europeus sofrem com suas pressões internas, e ao renegar o ideário da disciplina fiscal, estes mesmos governos padecerão com ás preções externas. Em todo o caso, é muito difícil a situação européia. O que não pode nos remeter ao engano de que o processo de unificação do continente é algo ruim e que deva ser abandonado o projeto que já caminha por quase 50 anos. Pelo contrário, a crise atual proporciona oportunidades únicas para que este modelo seja aperfeiçoado por aqueles que comandam a UE. Os Estados Unidos, maior economia do mundo, dá sinais muito frágeis de recuperação, com toda certeza, a economia americana voltará a ocupar seu lugar de protagonista maior nas relações econômicas internacionais, mas não há consenso sobre quanto tempo isto acontecerá. A má notícia vem do mundo emergente, mais particularmente da China que carregou nos próprios ombros parcela importante do crescimento mundial nos últimos 5 anos. Seu crescimento de algo de 10% que vinha mantendo, deve se reduzir agora para em torno de 6%. Isto já vinha sendo previsto por muitos analistas nos últimos anos, seria improvável que a máquina de produção chinesa continuasse mantendo este ritmo de produto com a manutenção da recessão nos países de alto nível de consumo. No Brasil, onde o elevado nível de consumo tem absorvido por meio do câmbio valorizado parte desta produção da China exportadora e dos ricos retraídos, isto embora traga bônus de curto prazo para o governo, está fazendo sangrar o nosso setor produtivo nacional. Mas não quero aproveitar este espaço para fazer coro ao ministro da fazenda para eleger como bode expiatório a taxa de câmbio. Há questões que precisam ser resolvidas no Brasil independentemente de recessão global e de sobrevalorização cambial, as regras trabalhistas brasileiras prestes a completar 80 anos de idade deixaram de ser uma conquista para se tornar um fardo para nossa economia, os custos de energia, transporte e impostos que incidem sobre a industria brasileira precisam ser enfrentados. A crise, mais do que uma problemática que precisa ser enfrentada, pode ser considerada uma oportunidade para que estas questões reúnam adversários em torno do interesse comum.
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