terça-feira, 1 de maio de 2012
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Perspectiva do empresário
Keynes um dos maiores teóricos sobre economia que conhecemos, trata no seu capítulo 5 do seu livro Teoria geral do emprego, do juro e do dinheiro sobre as expectativas dos empresários como fator determinante para estabelecer o nível de emprego e produto em uma economia. Neste artigo tentarei com isto nortear as expectativas dos empresários com um provável panorama para o varejo nos próximos meses.
De acordo com dados do CEPES-IE-UFU que avalia a desenvoltura do varejo para Uberlândia, temos que a nota dada pelos empresários ao momento do varejo segue em uma tendência declinante, sendo: 75,31%, 71,64% e 71,28% respectivamente aos meses de dezembro a fevereiro últimos, esta tendência, no entanto, não deve preocupar o empresariado, haja vista que devido a circunstâncias sazonais é natural que em dezembro – devido ao natal e ao 13º - a nota seja maior se comparada ao começo de ano onde temos muitos impostos e despesas das famílias arrefecendo o consumo.
O que indica cautela para o empresário do varejo é o aumento da inadimplência que acumulou segundo o SERASA 21,1% de alta para os três primeiros meses do ano, além do crescimento do valor médio das dívidas não bancárias em 3,4%, para atenuar este fator o empresário deve praticar um melhor controle de crédito, o que pode implicar no volume total de vendas, visto que, do total das vendas a prazo das empresas 47,64% do varejo de Uberlândia, são em cheque e em carnês que não tem a garantia do recebimento do cartão de crédito.
O total de estoques mantidos pelo varejo em fevereiro cresceu pouco, em geral, em apenas 33,06% dos estabelecimentos foi registrado um estoque maior do que praticado em janeiro, o que já é de se esperar visto que a reposição no varejo se dá a partir do final de fevereiro e em março. Prova disto é que para 71,97% dos empresários, seus estoques estão dentro do esperado para o período.
Outra estatística que indica uma estabilidade no funcionamento empresarial é o nível de emprego que permaneceu inalterado em 80,30%, a manutenção do nível de emprego não impediu que os salários caíssem em 14,60% dos estabelecimentos pesquisados, efeito causado principalmente pelos comissionados que sentiram o impacto da redução sazonal das vendas no começo do ano.
A boa notícia para o lojista uberlandense são as expectativas, tão importantes para Keynes para animar o ciclo virtuoso de uma economia, segundo a pesquisa mensal do CEPES 62,77% dos entrevistados, acreditam em um aumento do faturamento nos próximos meses, em geral este incremento se dá para 80% das empresas devido ás circunstâncias do momento econômico.
De fato, o momento econômico do varejo em todo o país, paradoxalmente á indústria que padece com a concorrência estrangeira, é interessante para novos investimentos, a queda na taxa de juros, inclusive o barateamento do crédito, o aumento do salário mínimo com impacto no poder de compra dos trabalhadores e 35% dos aposentados, somado aos baixos níveis de desemprego na faixa de 5% sugerem mais pessoas consumindo produtos cada vez mais de melhor qualidade.
Nesta época do ano, promoções, incentivos, brindes, produtos isca e propaganda ajudam bastante ao comerciante que queira elevar suas vendas, o consumidor procura vantagens e tende a privilegiar quem as oferece.
Podemos esperar um bom desempenho das vendas devido aos efeitos sazonais da data, mas também pelo momento econômico.
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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