No último dia 02 de
dezembro a prefeitura reuniu no Center Convetion algumas centenas de pessoas –
nas quais me incluo entre – para discutir a implantação e a viabilidade do
Veículo Leve Sobre Trilhos.
Está claro que dados
os incentivos desde 2009 pelo governo federal para aquisição do carro próprio
via desonerações do IPI e expansão do crédito direcionado para este tipo de
operações, foi colocado diante das prefeituras de cidades de médio porte dois
importantes desafios, o primeiro é ampliar e melhorar o sistema de transporte
nestas cidades cada vez mais abarrotadas de carros com congestionamentos e
engarrafamentos, o segundo é fazer isto diante de um aperto maior das receitas
públicas e da incapacidade do setor público em tocar investimentos neste
cenário de aperto orçamentário, visto que a desoneração feita pelo governo
federal afeta o repasse das receitas transferidas para os estados e municípios.
Diante disto estamos
diante de duas viabilidades para o projeto do VLT, a primeira diz respeito à
necessidade de um projeto desta natureza para uma melhor organização dos meios
de transporte modal na cidade de Uberlândia, e com isto fica claro que a
imediata implantação deste, traria visíveis benefícios para a cidade como um
todo uma vez que:
1° O transporte sobre
trilhos é mais eficiente a medida que é pontual.
2° O VLT é movido a
eletricidade e portanto é ambientalmente mais sustentável do que os veículos
movidos a combustíveis fósseis (gasolina, diesel e gás).
3° Os trens
transportam em um único veículo muito mais passageiros do que os ônibus e
portanto sua implantação no centro da cidade aliviaria as avenidas Afonso Pena
e João Pinheiro uma vez que diminuiria bastante o tráfego de ônibus nestas.
4° A implantação do
VLT automaticamente diminuiria a demanda por ônibus o que poderia a médio prazo
tornar os reajustes deste meio modal mais baratos para a população.
Portanto, é
indiscutível que a proposta do ponto de vista da necessidade do município é
viável, entretanto do ponto de vista orçamentário, sua viabilidade passa a ser
questionável. E do ponto de vista das prioridades que o município apresenta em
caráter muito mais urgente é ainda mais questionável.
O projeto segundo
informações da Secretaria Municipal de Trânsito apresenta custo de R$1,18
Bilhões, para uma cidade que apresentou um orçamento de R$1,8 bilhões previsto
para 2014 é absolutamente impossível sua implantação com recursos próprios de
Uberlândia. A situação fiscal de Minas Gerais e da União não é menos
preocupante, o baixo crescimento da economia brasileira de 0,2% este ano,
afetou de forma bastante prejudicial a arrecadação do setor público que fechará
2014 com um rombo primário acima de R$15 bilhões, projetando um primário de
1,2% do PIB para 2015.
Fica claro que um
primário de 1,2% em 2015 e de 2% do PIB para os demais anos do governo Dilma se
dará basicamente em elevações tributárias – talvez com o retorno da CPMF e da
CIDE que por serem contribuições e não impostos, não são tributos de natureza
compartilhada, portanto não vão refrescar o caixa de estados e prefeituras – e também
em cortes de investimentos públicos que devem cessar neste segundo mandato –
dada a rigidez das despesas de custeio.
Diante deste cenário
fiscal, fica claro que a discussão a cerca da implantação do VLT fica obsoleta,
discutir agora um projeto que só poderá ser implantado em 2024 é enxugar gelo
por duas razões, o problema de mobilidade urbana precisa de soluções imediatas,
além de em 2024 nossas necessidades podem não ser mais solucionadas com a
implantação dos trens de superfície.
O que fazer neste
caso?
Há um eficiente
projeto para mobilidade urbana na cidade de Uberlândia iniciado durante o
governo Odelmo Leão e mais realista com a capacidade orçamentária, o projeto
Uberlândia integrada que prevê a construção de 4 corredores de ônibus, além do
já existente na avenida João Naves traria um nítido alívio para o trânsito, uma
vez que interligaria as 4 regiões da cidade ao terminal central (ver a figura
em anexo).
O projeto
que mostra na linha amarela o corredor de ônibus da Avenida João Naves de
Ávila, já construído Os corredores 6 e 9 descritos no mapa abaixo,
beneficiariam muito as populações da Zona Oeste beneficiando os bairros
Martins, Luizote, Planalto, Dona Zumira, Tubalina e Cidade Jardim, onde tem-se
a uma grande população. O corredor 8 beneficiaria a zona Leste passando pelos
bairros Santa Monica, Segismundo Pereira e findando no Morumbi. Por fim, o
corredor 7 levaria para o distrito industrial, mas passando por Martins,
Roosvelt e Jardim Brasília.
O projeto
contemplava ainda a ampliação das vias na avenida Rondon Pacheco transformando
em uma via expressa, além da construção de mais 05 viadutos nas avenidas João
Naves de Ávila e Nicomedes Alves dos Santos, e nas Ruas Paraná, Olegário Maciel
e Francisco Galassi. Os viadutos das avenidas felizmente foram feitos. E outras
obras como o novo acesso ao aeroporto, o novo acesso à zona sul ligando o
centro a cidade universitária até no bairro Shopping Park.
Ademais,
torna-se necessário acrescentar no projeto original a construção de um novo
corredor de ônibus o qual atravessaria a extensão da avenida Rondon Pacheco
ligando os corredores da avenida João Naves de Ávila, ao corredor da avenida
Getulio Vargas, se traduzindo em um grande avanço no quesito mobilidade urbana
na cidade, uma vez que liga as regiões leste e oeste, através de três
corredores de ônibus de fluidez proporcionando maior conforto e agilidade para
os usuários do transporte coletivo na cidade e sem que se utilize os canais de
ligação do centro da cidade como previa o projeto original. (ver Salomão Neto,
B. A. 2014 capítulo 4 disponível em PDF neste site em Dowload).
A
continuidade na implantação deste projeto, trará um grande alívio nas
necessidades de mobilidade urbana na cidade de Uberlândia e custará muito mais
para o caixa do município que o VLT visto que todo ele aproveitaria a infra
estrutura já existente de avenidas e terminais rodoviários que a cidade dispõe,
se tratando de uma forma inovadora, eficiente e barata de arrefecer o problema
de transporte da cidade no curto prazo.





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