Publicado no Jornal Correio 13/03/2015
Em resposta à coluna do jornalista Cezar Honório do dia 08/03/2015.
É
pau, é pedra, é o fim do caminho, com este trecho da música do memorável
maestro Tom Jobim inicio este artigo em vocabulário coloquial, não para falar
de economia, assunto que tenho me debruçado já a alguns anos para interpretar e
buscar soluções, mas hoje pretendo falar de algo um pouco mais complexo,
falarei de sociedade.
Em
seu artigo denominado “Vamo pra rua” publicado recentemente, o jornalista disse
acreditar em uma possível frustração do evento a ser realizado no próximo dia
15 devido a alguns fatores que segundo ele podem contribuir para o seu
esvaziamento, comentemos 1 por 1:
1°
- A ausência de lideranças claras – não entendi ao certo a personificação desta
figura da “liderança clara”, se for esta, a figura de políticos com mandatos,
dirigentes partidários e líderes segmentais, realmente neste evento não há
líderes o que, entretanto, não deve ser um fator de esvaziamento do evento,
pelo contrário, o evento organizado por populares tem como objetivo pressionar
as ditas “lideranças claras” por mais e melhor trabalho e por menos privilégios
como a vergonhosa verba de translado para esposas de deputados que a câmara
constrangidamente revogou.
2° - Domingo é dia de lazer – e portanto, devido a necessidade de descanso e os
compromissos familiares o evento deve ser esvaziado, acredito ser exatamente o
contrário, já que dia 15 é domingo, não há em geral compromissos de trabalho,
aquele comerciante, aquele empresário, o servidor público, o trabalhador
operário, o estudante, o cidadão em geral cumpre uma série de compromissos
obrigatórios durante semana o que poderia sim contribuir para um evento de
proporções menores, no domingo, creio que 1 ou 2 horas que o brasileiro dispor
pra demonstrar sua indignação não deverá comprometer o lazer e o descanso.
3°
- Ainda que o número seja relevante, não há veículos de mídia para repercutir a
manifestação – o que é uma desconexão completa com a realidade, na minha
opinião o jornalista superestima o papel da imprensa tradicional e automaticamente
subestima a força das redes sociais, de forma que quando um fato vira notícia e
chega a ser publicada no jornal impresso ou na TV, ela já é de conhecimento no
público, de forma que nós que acompanhamos o jornalismo tradicional o fazemos
muitas vezes mais pelas análises do que pelas notícias.
4°
- Impeachment como principal motivo – como bem colocado pelo jornalista, por não
ter uma liderança clara, é natural também que não haja uma bandeira ou um
motivo claro, o movimento é heterogêneo, há pessoas de todas as orientações
políticas e ideológicas, eu mesmo não consegui me posicionar sobre o impeachment,
muito embora estarei nas manifestações de domingo, pelo simples motivo de
protestar contra um governo ruim.
5°
- Não há conscientização política no país – isto é o mais grave numa análise de
um articulista sobre política, em outras palavras o jornalista disse que os
brasileiros são alienados ao que tem levado o país à estagnação e ao
retrocesso, o que por razões óbvias eu não posso concordar.
Concluo
dizendo que respeito a posição de ceticismo do jornalista, e agradeço o espaço
desde já concedido pelo Jornal Correio para fazer o contraditório de forma
respeitosa e democrática, a propósito, já dizia Tom “são as águas de março
fechando o verão é a promessa de vida no teu coração.”




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