A
alguns meses atrás escrevi neste espaço um artigo denominado “sucessão
municipal em pauta” onde descrevi sobre a dificuldade do prefeito hoje em
exercício se manter por mais quatro anos dado o seu desgaste, e que das opções
que teríamos de candidatos à sucedê-lo os que se colocavam vindos da sociedade
civil – setores empresarial ou acadêmico – não empolgavam, e que no mundo
político, apenas um (dentre muitos) o deputado Odelmo Leão gozava da
credibilidade e da confiança por parte da população para reassumir a cidade.
Questões
eleitorais à parte, hoje pretendo me debruçar sobre outro assunto de interesse
da população de Uberlândia, que consiste nas ações do governo eleito para
suceder o grupo que aí está. Não é uma tarefa trivial, muito provavelmente quem
assumir a prefeitura em 2017 terá uma situação mais embaraçosa em relação à
situação herdada em 2004.
Um
forte indício do pessimismo quanto às dificuldades é a situação macroeconômica
do país, com forte avanço do desemprego, da inflação, do endividamento, da
informalidade e do número de falências, tem-se um claro determinante externo para
o bem estar local. Esta situação, entretanto, por mais longe que esteja de se
resolver, foge ao controle da administração municipal que terá que conviver a
nível de seus primeiros anos com este cenário incerto.
Por
outro lado temos uma dificuldade estrutural interna ao município que torna o
desafio do sucessor municipal ainda maior, a questão orçamentária hoje é um
grande “Calcanhar de Aquiles” visto que, Uberlândia apresenta uma dependência
excessiva de recursos transferidos de outras unidades federativas para compor
seu caixa, cerca de 75% do orçamento do município consistem em transferências e
Fundo de Participação.
Isto
não se traduzia em um problema em 2004, onde em plena fase de elevação dos
preços das commodities e de crescimento do produto a receita do governo federal
crescia e por inércia elevava também as receitas das prefeituras, entretanto,
hoje os tempos são outros, e a recessão prolongada joga pra baixo não apenas o
crescimento econômico, mas também as receitas públicas em todos os níveis
federativos.
Junte-se
a isso todo tipo de barbeiragem que a administração atual fez – não apenas a
nível de orçamento, mas sim a nível de prefeitura de forma mais ampla – que redundaram
em uma enorme desestruturação dos serviços públicos na cidade e a um alto custo
financeiro, vide a saúde como exemplo mais gritante, mas podemos buscar
elementos do fracasso da administração municipal em quase todas as áreas de
atuação.
Solucionar
isso não é tarefa trivial, o primeiro passo é mensurar o verdadeiro tamanho do
problema, deve-se ainda trabalhar com projeções realistas de crescimento
econômico e das receitas para que os cortes feitos gerem o esforço fiscal
esperado, fortalecer o caixa do município certamente passa pela capacidade da
prefeitura de ampliar sua geração de receitas próprias.
Mas
é preciso principalmente se instituir o combate rigoroso ao micro desperdício,
vai além da mera demissão de comissionados, consiste em uma avaliação criteriosa
de todos os programas de todas as secretarias, estabelecendo de forma
transparente os custos e os benefícios de cada um, eliminar a sobreposição de
programas municipais com estaduais e federais para que recursos sejam poupados
e a cidade volte a investir e principalmente atrair bons investimentos.




Sua análise política é "muito imparcial”, vindo de uma pessoa que há pouco tempo estava reunida com o ex-prefeito e hoje Deputado Federal, você foi candidato a vereador pelo PSBD em 2008. Isto mostra quão distorcida é sua análise.
ResponderExcluirCaro Thiago a análise em economia não tem a menor obrigação e nem eu tão pouco tenho a pretensão de ser imparcial, parcialidade é diferente de distorção nas ciências humanas; a análise ainda que parcial é realista; a situação orçamentária da cidade está precária dada ao perfil estatizante deste governo.
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