Publicado no Jornal Correio de Uberlândia em 18/02/2016
O
IPCA de janeiro divulgado pelo IBGE trouxe um preocupante problema para as
autoridades brasileiras, à despeito das projeções do mercado que previam algo
próximo a 0,94%, o número surpreendeu e fechou em 1,27%, maior com isto do que
janeiro do ano passado (1,24%) onde ouve todo um processo de liberação de
preços administrados antes represados por uma política econômica rudimentar e
irresponsável.
A
inflação é o grande problema moral de nosso tempo, uma vez que afeta a população
desempregada e também empregada na sociedade, não por acaso são grandes os
esforços do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional de recomendar
políticas de estabilização sobretudo para países emergentes.
São
muitos os diagnósticos sobre inflação, todos eles com um fundo de realidade, há
quem defenda que a inflação é causada majoritariamente por um choque de custos
na economia que transmite para os preços uma combinação de desvalorização do
câmbio com elevação dos salários acima da produtividade, há quem defenda ainda
que ela esteja sendo causada devido ao problema do desequilíbrio fiscal onde há
um crescimento muito acima do PIB do componente da demanda pública responsável
por quase 40% do total da demanda nacional, há quem defenda ainda que a inflação
do presente é carregamento do populismo monetário experimentado entre 2011 e
2013.
Estas
explicações encontram evidências nos fatos e o fascínio da economia está em
atribuir muitas causas ao mesmo fenômeno, hoje gostaria de propor um novo olhar
sobre a inflação brasileira, um pouco afastado das explicações macro e que tem
passado despercebido por parte relevante dos economistas.
A
microeconomia é a fundamentação de toda a ciência econômica, quem a ignora
corre um sério risco de alimentar sofismas, ela nos ensina que o preço é um
elemento chave em uma economia de mercado, pois sinaliza a depender da
estrutura de mercado abundancia ou escassez de um determinado recurso.
Em
estruturas de mercado mais concorrenciais, produtores e consumidores não tem
poder de influenciar os preços de determinada mercadoria, sob pena de serem
eliminados do mercado, os economistas que arquitetaram o Plano Real sabiam
disso, e por isso o casamento de abertura econômica com câmbio valorizado
permitiu que a concorrência das importações segurasse os preços da produção
doméstica.
Paralelamente,
temos estruturas de mercados mais inclinadas à monopólios ou oligopólios,
caracterizadas por um ou poucos produtores abastecendo todo o mercado de
determinado bem, por se tratar de uma relação de troca desigual, monopolistas e
oligopolistas possuem poder de estabelecer preços acima dos preços
concorrenciais, e com isto capturam excedentes (renda) dos consumidores, ou
seja, um processo de monopolização é um canal de concentração de renda via elevação
de preços.
Concluímos
portanto, que a inflação não voltará à meta a menos que seja adotada uma
política macro excessivamente contracionista, isto por que seu fundamento é
micro, o Brasil viveu entre 2007-14 uma fase de monopolização da nossa economia
calcada em setores de bens de consumo corrente como alimentos, bebidas, papel
entre outros passaram a ter 1 ou 2 empresas responsáveis pelo abastecimento de
mais de 80% do mercado nacional, tudo isso com o consentimento jurídico do CADE
e com generosos financiamentos subsidiados do BNDES, reduzir a inflação passa
por desfazer este imbróglio.





0 comentários:
Postar um comentário