Artigo Publicado no Jornal Correio de Uberlândia em 26/02/2016
O
lamentável estágio recessivo ao qual a economia brasileira foi colocada por
seus governantes se manifesta nas mais variáveis facetas, a discussão que
monopoliza o debate desde 2008 diz respeito ao possível processo de
desindustrialização da economia e reprimarização da pauta exportadora,
entretanto, o ambiente macroeconômico contaminou de forma inquestionável a
partir de 2015 também o varejo.
O
Varejo é um dos principais setores da economia brasileira, o segundo que mais
gera empregos formais com aproximadamente 10 milhões de trabalhadores segundo
informações do CAGED, o que corresponde a 20% do emprego formal no país, em
2015 apresentou resultados preocupantes em praticamente todos os seguimentos
apresentados na classificação da PMC IBGE.
Quando
considerado o varejo restrito a queda acumulada foi de 4,3% frente a igual
período de 2014, a queda foi puxada principalmente pelos setores de móveis e
eletrodomésticos – 14%, seguida por livros e artigos de papelaria – 10,9% e
pelo setor de vestuário e calçados com – 8,7%. Ao analisar o comportamento do
varejo ampliado (que inclui os setores de automóveis e motocicletas, além de
materiais de construção) o panorama é ainda mais dramático, a queda total foi
de 8,6%, dada a crise de ambos os setores que apresentaram expressiva queda de
17,8% e 8,4% respectivamente.
Em
economia bem como em medicina é preciso ser assertivo quanto ao diagnóstico
para não se adotar terapias que além de não solucionar, pioram o quadro
clínico, portanto está claro que o cenário tratado possui além das causas
clássicas, redução da renda graças ao desemprego e inflação, é preciso para
além, ter em mente o modelo de desenvolvimento que vigorou no Brasil a partir
de 2007.
Trata-se
portanto de um modelo pautado na elevação do consumo via incentivos fiscais e
elevação do crédito, uma ideia um pouco heterodoxa, alternativa de que ao incentivar
a demanda com mecanismos fiscais (desonerando IPI de eletrodomésticos e
veículos) e monetários subsidiando juros para compra da casa da própria, isto
estimularia setores “estratégicos” para a economia doméstica o que protegeria o
emprego via Demanda Efetiva.
O
resultado não poderia ter sido outro, inflação, desemprego, problemas nas
contas públicas e externas, desvalorização cambial na macroeconomia, e uma
crise setorial somado à estagnação da produtividade sem precedentes na
microeconomia, não por acaso os setores que apresentaram os piores resultados
na PMC em 2015, foram exatamente os que cresceram de forma artificial entre
2007 – 13.
A
história econômica do país, sobretudo recente, nos ensina que consumidores e
firmas respondem a incentivos e que mudanças na dotação de equilíbrio
walrasiano podem trazer sérias consequências, uma vez que antecipam intenções
de consumo e investimento no horizonte de tempo, e por isso os mecanismos de
retomada do crescimento nas vendas é mais dramático quanto maiores forem os
incentivos concedidos no período anterior.
O
cenário a médio prazo para empresas de automóveis, construção civil, móveis e
eletrodomésticos em geral será MUITO ruim, isto por que os níveis de consumo passado
estão saturados e a capacidade ociosa existente impede novos investimentos. Os
demais setores como de farmácia, supermercados, vestiário e calçados o cenário
será apenas ruim, influenciados por um cenário macroeconômico que deve
continuar piorando ao longo de 2016.




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